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Dois filmes

Recentemente vi dois filmes que me surpreenderam.

Blue Jay, um filme de dois personagens. Namorados da épeoca de colégio que se reecontram na pequena cidadezinha onde nasceram. Duas pessoas que parecem perfeitas juntas, mas que seguiram caminhos separados. O relacionamento de Jim e Amanda não deu certo e só compreendemos os motivos desta separação ao final da obra.

Este é mais um daqueles filmes cunhado na excelente construção do diálogo. Conseguimos entender as frustações dos personagens conforme Jim e Amanda confessam um ao outro os rumos que suas vidas tomaram.

Filmado em preto e branco. Roteiro original de Mark Duplass.

This Beautiful Fantastic é a versão inglesa de Amélie Poulain. É a história de Bella Brown, uma jovem orfã que sonha ser escritora e cuja personalidade beira a obsessão compulsiva. Bella mantém tudo organizado e limpo, perfeitamente. Seu jardim, por outro lado, é uma desorganização total. E deste jardim bagunçado nasce uma amizade entre Bella e seu vizinho rabugento, Alfie. Assim como Amélie, Bella muda a vida das pessoas ao seu redor e, neste processo, acaba tornando-se alguém melhor também.

 

Tony

Tony é olímpico.

Tem as bochechas largas e um olhar bem sereno. Seu senso de humor é bem elevado, ele tolera todo tipo malcriação que a sua irmã, Nina, lhe prega. É um gato esfomeado, não pode ouvir o barulho do saco de ração que vem correndo em sua direção, às vezes é como se ele brotasse da terra. Tony pratica esportes, sua modalidade favorita é o surf e para tal, ele utiliza todos os tapetes da casa. Tony é muito bom nisso e penso que se existisse uma olímpiada felina, ele já estaria classificado. Tony é  um gato  vaidoso, gosta de fazer as unhas em qualquer móvel da casa, mas seu local preferido é, infelizmente, o nosso sofá.

Artigo completo do New Yorker

 

 

Representatividade feminina

É claro que a representatividade feminina é importante. A existência de filmes com super heroínas é fundamental, ainda mais no papel de protagonistas. Toda criança que vai ao cinema assistir homem-aranha, superman, sai da sala escura sentindo-se capaz de ser aquilo que viu, de crescer e, quem sabe, ser um super herói. Mas e as meninas? Aonde elas se encaixavam? Hoje, felizmente, há esse papel para elas. Mulher Maravilha chegou e fez bonito. Agora toda garotinha sairá do cinema sentindo-se uma wonder woman também.

A representatividade é fundamental, mas não deve estar atrelada à santificação. O filme com Gal Gadot fez sucesso por que é bom. Se fosse um saco, não teria feito. Isso não é boicote, é justiça.
É errado colocar a culpa de uma péssima bilheteria na direita, nos conservadores, nos católicos, nos judeus.

Recentemente, minha irmã assistiu As Caças Fantasmas, um filme que eu estava louca para ver, perguntei a ela “é bom?” e ela me disse que é um saco, longo e com piadas sem graça. Minha irmã, mulher, não gostou.

A ideia de fazer um remake do clássico protagonizado por homens era ótima. Um grupo de mulheres engraçadas que caçam fantasmas. Maravilha, afinal ser um caça fantasma não quer dizer que você deve ser homem ou mulher. Porém o filme não fluiu, foi ruim, péssimo roteiro, sei lá. Deu errado. Mas a questão é que deu errado não porque eram mulheres no protagonismo, mas porque o filme era ruim mesmo. Quantos filmes com protagonistas masculinos falham catastroficamente? Vide a Múmia com Tom Cruise.

Protagonismo feminino é fundamental, mas quando é mal feito, deve ser criticado, assim como criticamos os filmes estrelados por homens. Direitos iguais, não é mesmo?

Espero ver mais heroínas no cinema, e espero que os filmes vindouros tenham a qualidade do filme de Patty Jenkins. Esse sim carrega uma tremenda representatividade.

O Menino Múltiplo na mídia

Abaixo uma matéria sobre o lançamento da primeira obra de Andrée Chedid traduzida no Brasil

Egípcia tem primeiro livro traduzido para o português

‘O Menino Múltiplo’, de Andrée Chedid, ganhou versão em português de Carla de Mojana Renard. Falecida em 2011, escritora nascida no Egito tem mais de vinte prêmios em sua obra.

Tradução do livro foi tese de mestrado de Carla de Mojana di Cologna Renard

São Paulo – A escritora egípcia Andrée Chedid, falecida em 2011, teve seu primeiro livro traduzido oficialmente para o português. Lançado este mês pela editora Martin Claret, “O Menino Múltiplo” (L’Enfant multiple), escrito na década de 1980, está à venda nas principais livrarias brasileiras, traduzido do francês pela brasileira Carla de Mojana di Cologna Renard.

A tradução do livro foi parte da tese de mestrado de Renard, no programa Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês da Universidade de São Paulo (USP). “Conheci a Andrée Chedid por meio da obra do seu neto, Matthieu Chedid, um músico conhecido do público francês. Acabei me identificando porque também tenho origens egípcias: minha mãe e meus avós nasceram no país e se mudaram para o Brasil”, contou a tradutora à reportagem da ANBA.

Rapidamente, a jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero que abandonou a carreira para se dedicar à tradução, mergulhou nos livros da escritora, que aborda temas sociais em um estilo literário bem ligado à poesia – até seus romances têm influência poética, segundo Renard. Ao mesmo tempo, acompanhava a obra de Matthieu Chedid, que acabou encontrando, por coincidência, durante um show que o músico francês fez em São Paulo.

“O Matthieu é muito ligado à avó. Eu estava querendo começar a fazer traduções literárias e ele me estimulou a traduzir um livro da Andrée, que ainda não tinha nenhuma obra disponível em português”, conta a tradutora.

Renard conta que, além de prazerosa, a tradução de “O Menino Múltiplo” foi um desafio, uma vez que o estilo da escritora, poético e com certa musicalidade, precisava ser mantido. “A Andrée escrevia com um dicionário ao lado, procurando palavras que dessem um ritmo ao seu texto. Procurei fazer o mesmo na versão em português, buscando a palavra certa para manter a musicalidade. Traduzir não é apenas manter o sentido, é também um ato de criação”, diz a tradutora, que aconselha ler o livro em voz alta.

A história

Segundo Renard, a escolha de “O Menino Múltiplo”, entre toda a obra da autora, se deve pelo fato de o livro ter um pouco a ver com o Brasil. O romance conta a história de Omar-Jo, filho de um pai muçulmano egípcio e uma mãe católica libanesa, falecidos durante a guerra no Líbano, em 1987, após a explosão de um carro-bomba – que também deixa o menino de doze anos sem um dos braços. A tragédia fez com que seu avô, um trovador, o levasse a Paris, onde o encontro do Oriente com o Ocidente mexe com a vida do garoto.

“Embora escrito na década de 80, o texto de Chedid se revelou bem atual. A dura realidade de muitos refugiados no atual cenário que vivemos”, conta Mayara Zucheli, assistente editorial na Editora Martin Claret.

Ela diz que o pessoal da editora ficou atônito com o fato de não existir nenhuma tradução da obra da autora, contemplada com mais de vinte prêmios literários, no Brasil. “A tradutora que entrou em contato conosco e ofereceu a sua tradução”, explica.

Poeta, romancista, novelista e dramaturga, Andrée Chedid tem origem libanesa, mas nasceu no Cairo em 1920. Aos 26 anos se mudou para a capital francesa, onde produziu mais de 40 obras no francês – idioma que aprendeu desde pequena, pois sempre estudou em escola francesa. Dois de seus romances foram adaptados ao cinema: Le sixième jour e L’autre.

A tradução de L’Enfant multiple tem 265 páginas e tiragem inicial de três mil exemplares. Está disponível em livrarias físicas e online a preço de capa de R$ 49,90.

via Agência de Notícias Brasil-Árabe

My homecoming

 

I went to the movies to watch Spider-Man: homecoming and I felt like eleven years old again when I watched the first Spider-Man movie, the one directed by Sam Raimi and starring Tobey Maguire. The Spider-Man of 2002 was my first adult film at the theater before it I watched only animations.

In 2002, I was not a reader yet, I was not worried about books or things like that. I had had contact with Turma da Mônica, but nothing too deep. I was more concerned about watching Nickelodeon, Cartoon Network and playing on the street.

But everything changed after that movie. In the weeks after it I broke out all the newsstands, I wanted the comic books of that hero who had fascinated me so much. I read everything! I read the weekly comic books, the special comics, the sagas, the specialized blogs — at that time, I used to go online after midnight and kept researching the stories of Peter Parker.

I became a reader! Thanks to comic books!

If reading and books are my passion today, I owe it to the Friendly Neighborhood!

Yesterday, as I entered the theater to watch the reboot of my favorite movie, I returned to my eleven years. In a simpler time, where all that mattered was having the bucks of the week, go to the newsstand and secure my copy of the Amazing Spider-Man.

Those good times do not come back, but I’m glad to have lived them so well!

When Breath Becomes Air

I’ve just finished a book that I wanted to read since the day it was released, When Breath Becomes Air, by Dr. Paul Kalanithi. It is a posthumous work. Paul started the book when he was already with an advanced lung cancer. The diagnosis, as he explains in his book, for this type of cancer is, in the overwhelming majority of cases, terminal. 

The work is extremely poetic, with words of intense sweetness, and I think this is due to the fact that Paul, before studying medicine, graduated in literature from Stanford University.

Reading it, I began to imagine the weight of being a doctor and suddenly to become a patient. The condition of a sick layman is more comfortable because he carries the hope of the unknown, an exit, a miracle, after all, ignorance, in such cases, can be a blessing. But when are you a doctor? The knowledge of all statistics and all existing treatments becomes a burden.

The work is about Paul’s story, how he became a doctor, his years of study, but also about how to face what lies ahead, about not giving up, about continuing to laugh and creating good memories – Paul and his wife Lucy had a little girl in the process – after all we are what we will leave, we are what we will be remembered for. We can face death with denial and fury and let it take care of the last days of our lives, or we can see it as a warning “make the most of it”, leave your mark and, above all, care for those around you, Their suffering will continue for long years after your departure.

An emotional work (I cried several times) and essential. The terminal does not need to be the end, it is possible to continue living in the good memories, in the advice given, in shared laughter and, above all, in irradiated love.

A lecture by Lucy Kalanithi, Paul’s wife, at TED

 

 

Do teatro puro e absurdo de Ionesco à televisão pura e absurda de David Lynch

O título deste texto parece aqueles que encontramos nas teses de mestrado que lotam os corredores das bibliotecas universitárias. Mas este é apenas um texto curto de uma epifania que surgiu enquanto assistia ao oitavo episódio da nova temporada de Twin Peaks.

Neste semestre, tive aulas de Teatro Francês. Nestas aulas, entrei em contato com inúmeros autores franceses, Victor Hugo, Racine, Edmond Rostand…  e Ionesco, este último foi o autor que mais me marcou.

Eugène Ionesco, nascido na Romênia, passou a maior parte da infância na França e só regressou à terra da baguete para concluir sua tese de doutorado, ano que coincidiu com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Devido à Guerra, permaneceu na França e lá se revelou escritor.

Ionesco é considerado, junto a Beckett, pai do Teatro do Absurdo, um teatro que bebia nas fontes do surrealismo e expressionismo. Sua composição era de elementos chocantes e por diversas vezes ilógicos, que visava causar um desconforto ao reproduzir a sociedade incoerente e absurda da época.

As obras mais famosas de Ionesco são Rhinocéros e La Cantatrice Chauve (A Cantora Careca). Esta última ilustra o absurdo da existência humana e o distanciamento entre as pessoas. Numa determinada cena, marido e mulher descobrem que são realmente casados após uma série de coincidências, como por exemplo, terem o mesmo filho. A peça se passa na Inglaterra e mostra a vida de dois casais, se desenrolando entre as conversas banais que fazem pouco sentido e que são, até mesmo, palavras desarticuladas.

Ionesco dizia que fazia um teatro puro, um teatro que não fornecia muita informação ao espectador. O teatro de Ionesco era o que cada um queria ou entendia ver. Por exemplo, na obra Rhinocéros, todos os personagens se transformam em rinocerontes e isso não é, em momento algum, explicado. Por que rinocerontes? Cada espectador tem a sua teoria.

O teatro puro era desprovido de convenções, era imaginativo e extremamente poético. Eugène rejeitava as estruturas lógicas, o pensamento do teatro tradicional e criava sua própria forma de expressar a existência sem sentido do homem moderno. Se pararmos para analisar La Cantatrice e perguntarmos “sobre o que se trata?” não encontraremos uma resposta na peça em si.

Vendo a mais nova temporada de Twin Peaks, escrita e dirigida por David Lynch, tive a sensação de estar diante de uma obra de Ionesco. Lynch nos trouxe, até agora, oito episódios que revelam muito sobre as relações humanas e que não nos fornecem informação alguma. Esses episódios nos levam a todo tipo de interpretação. Tenho certeza que cada espectador tem a sua – “o que são os lodges presentes em Twin Peaks?”. São episódios que nos mantem colados diante da TV mesmo sem ter a forma convencional, que é responder a todas as necessidade dos espectador. É a TV pura, utilizando a linguagem do teatro, aquela que não mastiga a informação. Não é a toa que Lynch é considerado um diretor de vanguarda,  surrealista, cujas obras ganharam uma denominação específica: Lynchianas.

Lynch e Ionesco criaram obras capazes de nos descolar dos aspectos mais palpáveis da segunda e sétima artes. São autores que instigam nossas mentes com textos e imagens que não são simplesmente absorvidos, mas que são digeridos lentamente com a ajuda de muitos neurônios.

Vê-los é ter certeza de que o Surrealismo contribuiu e contribui em muito para a edificação da criatividade humana.

Mais de uma luz

Neste fim de semana, fui ao lançamento do livro Mais de uma luz de Amós Oz. O escritor, com seus 77 anos, voou de Israel, lugar onde vive, direto para uma aglomeração de mais de 400 pessoas, embora o evento tivesse sido organizado para 250. O fato de ficar em um avião durante 14 horas, chegar ao Brasil e participar de uma palestra/bate papo abarrotada, com pessoas empoleiradas em escadas, mostra a generosidade de Amós.

Seu livro, Mais de uma luz, é uma junção de 3 ensaios, cujo subtítulo, Fanatismo, fé e convivência no século XXI, resume bem o conteúdo de seus textos. Um tema extremamente atual.

Amós, em sua palestra, nos avisou que possuía a cura para todo tipo de fanatismo e que se pudesse a distribuiria em cápsulas, como um remédio para a doença mais infecciosa e perigosa que enfrentamos. As pílulas de Amós seriam recheadas de um aspecto da personalidade humana que parece ter sido deixado de lado nesses tempos sombrios que vivemos, elas viriam repletas de senso de humor, de risada, da capacidade de rirmos de nós mesmos. Amós diz que nunca viu um fanático rir de si mesmo. Ouvi aquela simples solução com um sorriso de esperança no rosto. Quão simples. Rir de si mesmo é sempre o melhor remédio. Uma pessoa com bom humor nunca está de mal de ninguém. Toda religião tem defeito, afinal são dogmas muito antigos, fundados numa época muito diferente da qual vivemos, e é uma virtude saber reconhecê-los. Se alguém zomba de sua religião, ria.

A lição que Amós me deixou, em seus 40 minutos de fala, ficará marcada. Levarei suas palavras de otimismo para a vida toda, e as críticas vindouras serão acolhidas com muito bom humor. Espero que aquele salão lotado, recheado de diversas crenças, com toda certeza, tenha saído daquela Casa do Povo com o mesmo sentimento que o meu. Se Amós foi capaz de tocar 400 pessoas, então sua obra já terá valido a pena.

Banco da depressão

Vou descrever o serviço de determinado banco e, ao final da leitura, tenho certeza que vocês serão capazes de adivinhar de qual banco eu estou falando.

A gente nunca sabe qual é o melhor horário para ir até lá. 10h, quando abre? No horário do Almoço? Depois dele? Fiquei com esta dúvida e resolvi que iria depois do almoço, pensei que por volta das 14h todas as pessoas que precisavam resolver assuntos financeiros em seus horários de almoço já teriam ido embora. E de fato, o banco não estava cheio, me deparei com meia duzia de pessoas sentadas com o olho, cheio de lágrimas, vidrado no painel da senha.

O fato é que todos, e eu quero que fique bem claro, TODOS os atendentes estavam almoçando. Sim, as 5, 6 mesas estavam vazias e permaneceram vazias até a minha desistência. Sabe, eu fico imaginando o quadro de funcionários em uma reunião decidir assim: “então, todo mundo vai almoçar da 12h até as 14h da tarde. Fechado?” “Fechado”. A possibilidade de existir um rodízio não deve ter passado pela cabeça deles, é uma prática muito complexa. Tinha funcionário, mas estes pareciam ser contratados para nada, ou só para enervar mais ainda os clientes. Eles ficavam andando de um lado para o outro, sem rumo, com papéis na mão.

Todas as pessoas reclamavam, e a cada minuto chegava mais gente, e quanto mais gente chegava mais reclamação. Imaginei o ombudsman do lugar e me deu calafrios. Tava juntando um pessoal furioso, a ponto de jogar as cadeiras pelos vidros. E os seguranças logo ficaram de prontidão, juntou uns quatro na frente da porta. E eu comecei a ficar tensa. Vai ter guerra civil e eu aqui no meio. Resolvi me retirar enquanto dava tempo.

Perdi tempo, dinheiro (peguei um uber até o purgatório), e não tive o meu problema resolvido.

No caminho de volta fiquei pensando num seriado que passou na tv Globo, os Aspones, onde, numa repartição pública, trabalhavam quatro pessoas, com um aspecto meio depressivo e que não faziam nada, tamanha a burocracia. Bateu aquela felicidade por não trabalhar num lugar assim, mas logo em seguida bateu um desespero, pois lembrei que terei que voltar lá, cedo ou trade.

O dia que resolvi cozinhar

O dia que resolvi cozinhar seguindo uma receita foi peculiar. Parecia tão simples. Era uma éclair, uma massa que vai na bomba de chocolate. Um bolinho francês pomposo (que heresia!). Para comer a tal da éclair eu precisava fazer a massa, colocar os palitinhos para assar e vê-los crescer. Daí então, fazer o recheio. Um creme também pomposo e afrescalhado, o tal do crème pâtissière. A conta era simples, 1 + 1, creme mais massa resultaria num bolinho belo e delicado. Porém, não foi este o resultado da minha matemática. Todo meu esforço findou num troço intragável. Uma massa salgada, sem forma, toda torta com um creme líquido escorrendo pelas bordas.

Um desastre parisiense.

Confesso que comi por teimosia. O gosto estava longe de lembrar uma pâtisserie française, muito longe, mais de 14 horas de voo.

Comi por que eu tinha feito, tinha sofrido, tinha seguido a receita e tinha me arrependido.

Na terceira linha das diretrizes culinárias dizia: uma pitada de sal. Como eu calculo uma pitada? A minha pitada pode ser maior que a da pessoa que elaborou a receita, ou menor, vai saber.

A verdade é que minha pitada ficou grande, grande demais. Comi massa salgada com creme talhado.

Na próxima semana, a minha aventura será um Boeuf bourguignon. Dessa vez, sem pitada e sem receita.

Imagem bem, mas bem meramente ilustrativa.