Blog

Textos

Livro no Brasil

Este é a singela opinião de uma pessoa que está no mercado editorial há mais ou menos cincos anos.

Trabalhar em editora nunca foi meu principal objetivo de vida. Eu queria ser cientista, astronauta, arqueóloga, aquelas profissões que apareciam com uma certa frequência no cinema.

Quando estava no ensino médio eu queria fazer história. Influenciada, em parte, por ótimos professores, mas também pelas aventuras de Hercule Poirot na Mesopotâmia, no Nilo.

Descobri que arqueologia, pelo menos no Brasil, não daria em nada e desisti.

Fui para a Letras, que fora do país se chama Fine Arts, uma denominação muito mais digna.

Além da arqueologia, Agatha Christie me despertou a paixão pelos livros e então me descobri em uma carreira.

Trabalhar em editora uniu duas coisas: o amor pelos livros físicos (seu cheiro, a textura do papel, o design) e o amor pelas palavras. Abrir um calhamaço de folhas e entrar numa aventura que a cada página se desdobra em algo inimaginável não tem preço.

Eu amo livros. Carrego um na bolsa, esse eu leio no metrô. Tenho um epub no computador, esse eu leio no almoço. Tenho um exemplar de 500 páginas, esse eu leio em casa.

Mas meu amor pela criação de Gutenberg me deixa um pouco melancólica, às vezes.

No Brasil, é muito complicado pensar em livro, pensar em ter uma editora, pensar em viver disso. Tirando o fato de que a população brasileira não lê com tanta frequência, isso já é incrivelmente desanimador, nós, do mercado editorial, nos deparamos com outra tristeza: as pessoas podem até comprar um livro, mas elas não o lerão.

Fato.

Quantos livros você comprou este ano? Dez? Quantos desses dez você leu? Dois… Três?

Hoje, no Brasil, livro virou artigo de luxo, de colecionador.

Isso não é ruim para o mercado, na verdade isso mantém o meu emprego vivo. Muitos dirão que o importante é que o estoque se esgote, que as livrarias façam pedidos. E de fato, isso é muito importante. O mercado editorial fechou o primeiro semestre de 2017 de forma positiva.

Mas e o outro lado?

As pessoas não leem!

A gente batalha atrás de um super tradutor, uma super revisora e um super prefaciador, todos, em suma, especialistas no autor, na obra, no gênero, no idioma e tudo isso para quê? Meu trabalho vai ficar lindo na sua estante, na sua mesa de centro e só.

O sintoma mais claro dessa “gourmetização” do livro é a exigência dos leitores. Eles querem livros gigantescos e de capa dura. A pobre da brochura foi deixada de lado, confinada nos livros didáticos, aqueles que ninguém lê mesmo.

O livro, aquele amontanhado de papel que serve para te contar algo, precisa ser funcional. E quer um formato mais funcional que o 14×21/brochura? É leve, dobrável e cabe em qualquer bolsa. Tirando o pocket, que é péssimo, pois as letras são miúdas e super condensadas, a brochura é a melhor opção. Nela, conseguimos fazer capas lindas, um trabalho gráfico de primeira, e conseguimos, também, dar conforto ao leitor.

Mas não… O brasileiro não gosta. A primeira pergunta/afirmação que nos fazem é: será capa dura, né?

Nos Estados Unidos, as editoras investem nele, na brochura, no paperback. E as pessoas compram, não apenas por que eles são baratos, a diferença de preço é mínima (uma brochura custa uns 10 dólares, enquanto uma capa dura custa uns 15), mas por que elas leem.

Entrei na Strand, na Barnes & Noble, na loja física da Amazon e vi, na maior parte das prateleiras, as brochuras, as lindas e confortáveis brochuras.

Não me levem a mal, não é que eu não goste de uma capa dura, acho linda. Só a vejo como um sintoma da “não leitura”.

Espero que este nicho que tanto amo supere essa gourmetização, que o Brasil tenha cada vez mais leitores e não somente compradores e que as pessoas entendam que livro deve ser atrativo, bonito, charmoso, mas que sua principal função é nos fazer viajar com as pés no chão, que entendam que livro é, principalmente, para ser lido.

Marvel Comics: a história secreta

Eu ganhei esse livro em 2012, e desde então, tentei lê-lo umas três vezes.

Não por achar sua escrita difícil ou tediosa, mas por que o assunto que Sean Howe trata em sua obra, a história da Marvel, é uma das coisas que mais me fascinam na cultura pop e eu li e reli os parágrafos tentando fazer as conexões dos nomes das empresas, dos desenhistas e editores querendo compreender tudo.

Comecei, pela quarta vez, sua leitura no mês passado.

A história da Marvel é bem complexa. A empresa nasceu em meados de 1934 pelas mãos de Martin Goodman, que na época publicava os pulps, que eram revistinhas em papel barato cuja temática rondava histórias noir, western e ficção científica.

A Marvel era um braço da Timely Publications que se estabeleceu, sob a supervisão de Goodman, em 1939.

Desde 1939, a editora, com sua concorrente Detective Comics já estabelecida no mercado, saiu à procura de roteiristas e desenhistas que pudessem, também, criar super-heróis que competiriam com o sucesso de vendas do Superman, lançado na Action Comics em 1938, Batman etc. Em outubro de 1939 o Tocha-humana fez sua estreia nos pulps tendo como arqui-inimigo Namor, o príncipe submarino.

A sacada da Timely foi, como bem apontou Howe, utilizar como pano de fundo para as aventuras desses seres fantásticos a velha cidade já conhecida e amada pelos leitores daqueles gibis. Tocha Humana e Namor se enfrentavam pelas ruas de Manhattan. Os cenários eram o rio Hudson, o Empire State Bulding, e outros pontos turísticos da grande maçã. Diferente da proposta da DC, a Timely não investia em universo intergaláctico, mas apostava no mundano e acertava, e muito. Ela faturava uns 30 mil dólares com as revistinhas do Tocha e isso era um grande montante, levando em conta que cada exemplar custava, mais ou menos, uns 10 cents.

Grandes nomes vieram ao encontro de Goodman, na época, garotos cursando faculdade de artes ou apenas garotos com talento à procura de uma oportunidade na indústria que fabricava aquilo que eles mais amavam, imaginação. Jack Kirby chegou, Steve Ditko e Stanley Lieber, o Stan Lee, também apareceram. Garotos que aprenderam colocando a mão na massa e se sujeitando a todo tipo de trabalho. Stan Lee começou jovem na Timely, com uns 14 anos, e era o responsável pelo cafezinho, além de ser o office boy. Em suas primeiras histórias, Stan Lee assinou seu nome desta forma por achar que o escrevia no começo da carreira era muito ruim e aquelas tirinhas poderiam sujar sua futura imagem.

Lee cresceu, na vida e na empresa. Kirby e Ditko saíram e voltaram. Outros artistas vieram, como John Romita. Capitão América lutou contra Hitler e deu esperança aos americanos em tempos sombrios. A Guerra-Fria chegou, fez parte de inúmeras histórias e nos presenteou com o Quarteto-Fantástico, cuja inspiração para a criação de um super time saiu da concorrente e sua Liga da Justiça da América. Todo super-herói lutava contra ameaças comunistas.

A primeira história sob o selo Marvel Comics foi do Quarteto, que ganhou sua própria versão do Tocha-Humana, um herói que ressuscitou repaginado.

E a Timely que era uma empresa de um andar cresceu. Sem deixar de passar por quase falências. Entre altos e baixos surgiram Homem-Aranha, Vingadores, Demolidor etc., toda uma gama de super-heróis que encantam até hoje.

Essas histórias que já fascinaram gerações lidavam com questões que faziam muito sentido para a época, como o medo da guerra, o terror nazista. Criaram gerações de leitores que se espelhavam naqueles personagens. Todo mundo queria ser um super-herói, ser correto e fazer sempre o bem.

Gosto de pensar que além da diversão, as histórias em quadrinhos são capazes de ajudar na edificação dos leitores. Sou grata a elas e especialmente à Marvel por ter me presenteado com uma infância divertida, esperançosa e acima de tudo, super-heróica.

 

 

sobre as paixões literárias

É engraçado, mas eles são bem parecidos. Ambos são detetives e de personalidade forte.

Sherlock Holmes é inglês e saiu da cabeça do médico escocês Sir Arthur Conan Doyle em 1886, na história Um Estudo em Vermelho. Sherlock tem como narrador de suas histórias seu inseparável companheiro: Dr. Jonh Watson. Já Hercule Poirot é belga e nasceu da multiescritora Agatha Christie em 1921, no romance O Misterioso Caso de Styles, e também possuí um fiel escudeiro que, muitas vezes, narra suas histórias: o Capitão Arthur Hastings.

Considero Holmes mais inteligente e astuto. Quando leio suas aventuras, sempre imagino que ele já sabe o desfecho da investigação na terceira frase do depoimento do suspeito. Poirot  me parece mais inquieto e gosta de exaltar a si mesmo. Embora o caso seja complicado e ele tenha dificuldade com a resolução, ele sempre a entrega com um ar de “eu já sabia desde o começo”.

As histórias de Poirot e Holmes são aventuras bem simples: um crime acontece e o detetive tem que desvendá-lo. E talvez por isso, frequentemente, os livros de Doyle e Christie sejam encarados como meros Best Sellers, ou livros de Viagem. São poucos os que os veem como “alta literatura” (um termo que detesto). Estas histórias se encaixam no estilo Whodunnit? ou Who Done It? que é o tipo de romance policial onde há inúmeros suspeitos para um crime e a identidade do culpado só é revelada no final da obra.

Dr. John Watson e Sherlock Holmes

Os romances desses grandes escritores podem ter o mesmo formato, podem ser acusados de plágios de si mesmos, mas o que realmente me importa é a sensação que eles causam quando estou lendo. O mistério tem esse dom de te fazer devorar lauda após lauda na esperança de confirmar a sua inteligência. Para mim, uma obra de 200 páginas termina fácil em um dia e meio.

Além desses dois escritores terem nos deixado um legado de histórias incríveis, Agatha Christie escreveu mais de 60 livros, eles influenciaram todo um gênero literário. O romance policial não seria o que é hoje sem Holmes. Maurice Leblanc, Georges Simenon, Hanna-Barbera com Scooby Doo (haha) e a própria Agatha Christie se inspiraram em Conan Doyle para criar suas histórias.

E digo mais, temos uma gama incrível de séries e filmes estreladas pelos dois detetives. Algumas são inspirações como é o caso de Sherlock, Elementary, os filmes de Guy Ritchie, e outras são adaptações mesmo, como as séries da BBC com Poirot e agora a refilmagem de Kenneth Branagh de o Assassinato no Expresso do Oriente, o livro mais famoso da Rainha do Crime.

 

E nós, fãs do romance policial, só temos a ganhar com isso. É muito bom ver que as ideias de Christie e Doyle continuam vivas e rendendo muita trama. Quero ver cada vez mais sherlockes e hercules na TV, no cinema e, também, na literatura.

E aqui fica a dica para algum filmmaker: façam um crossover! Seria maravilhoso ver uma aventura do time Hercule Holmes nas telas do cinema!

 

 

 

 

Encontros e desencontros

Hoje encontrei uma pessoa conhecida na rua. Só o vi passar. Ele era meu colega na época de colégio e era uma das pessoas mais engraçadas que já conheci. Tínhamos muitas afinidades. Vê-lo me fez sentir saudades daquela risada leve que a gente compartilhava. Não sei se ele ainda é aquela pessoa que me fazia rir horrores, mas mesmo que seja, não sei se conseguiria me reaproximar. Muito tempo passou e por mais que a gente ache que nunca mudamos, nós não somos nem um terço o que éramos.

Vê-lo me fez bem e me fez querer guardar pessoas especiais num frasco, no mesmo tempo espaço que as conheci. Eu as revisitaria de tempos em tempos e reviveria aqueles momentos. Cruel pra elas, maravilhoso pra mim.

As pessoas que passam pelas nossas vidas, digo as especiais, não deveriam só passar… deveriam ficar… de alguma maneira.

Today I saw a person that I used to know on the street. I just saw him pass. He was my college buddy and he was one of the funniest people I’ve ever met. We had many affinities. Seeing him made me miss that light laugh we shared. I do not know if he’s still the guy who used to made me laugh a lot, but even if he is, I do not know if we could get closer again. A lot of time has passed and no matter how much we think we’ve never changed, we’re not even a third of what we were.

Seeing him made me feel good and made me want to keep special people in a jar, at the same time space that I met them. I would revisit them from time to time and relive those moments. Cruel for them, wonderful for me.

The people who pass through our lives, only the special ones, should not just pass… they should stay… somehow.

Blade Runner (english version)

The first time that I saw Blade Runner was in 2000 and something. Over the past year I’ve watched it again and this time it was the Final Cut. The film features three versions, Theatrical Cut, which was the version released in theaters in 1982, the Director’s Cut, the version designed by Ridley Scott and the Final Cut, the version released on the 2007 Special DVD.

The Final Cut or the Director’s Cut are the versions worth seeing. They do not have the final scene that the studios forced Ridley Scott to add. They thought that if the movie ended the way Scott had idealized, people wouldn’t understand.

For me, it is a little challenging to write about movies because I do not know the technical terms and my experience is the one from a simple viewer. So I write about banal impressions of someone who really enjoys the seventh art.

In 1982 Ridley Scott created a masterpiece inspired by Philipe K. Dick’s book, Do androids dream of electric sheep? which became the percussion of a film genre, the sci-fi noir. That kind of sci-fi present in films depicting dystopian futures, such as Toral Recall and so many others.

Blade Runner takes place in 2019 and recounts the hunt of Detective Deckard, who is summoned to exterminate deserting droids, the Replicants, who fled after a rebellion. These replicants, belonging to the Nexus 6 generation, are extremely similar to human beings despite possessing great physical strength and above-average intelligence.

The movie may seem more like a police thriller, with a man vs. machine battle, but it goes way beyond. Scott’s work deals with the condition that humanizes us all, the possibility of death, and the feeling of wanting to overcome it. After all, what these replicants want is to find their creator, Tyrell, and force him to give them more time to live. As a human supplication before the creator, god, ala, and so on.

The film has one of the most incredible monologues in film history, the last scene of the replicant Roy: “I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die”.

The experiences of these machines evaporate just like the human ones when the hour of death arrives.

The sequel, Blade Runner 2049, hit theaters with many questions. Was Denis Villeneuve’s film the height of its precursor? And the answer is yes.

The story takes place thirty years later and explores a small spit from the first film, the uniqueness of the Replicant Rachel. Rachel, according to Tyrell himself, was one of a kind. She would not expire in 4 years like Roy.

In 2049 the new replicants are integrated into society and do jobs that no longer compete to humans, such as being a detective. K is a new Android model and works eliminating old models that are still on the loose. In his hunt, he is faced with the bone of a replicant who died giving birth, something unthinkable. K then begins to search for the child who was born from this replicant.

K’s guessing, he thinks and wants to be this child, also expresses the eagerness of the androids in search of aspects that make them human, that is, own memories, family, and a singularity that take them from the condition of mere tools of work.

The sequel of Blade Runner does not spoil Scott’s work, it delicately completes a story that we imagined did not need continuity or explanation.

It is foreseeable to think that Blade Runner 2049 will play the same role as Blade Runner 2019, to be a milestone in film history.

Blade Runner

A primeira vez que assisti Blade Runner foi em 2000 e alguma coisa. Ano retrasado assisti novamente e dessa vez vi o Final Cut. O filme possuí três versões, a Theatrical Cut, versão que foi para os cinemas no ano de lançamento, em 1982, a Director’s Cut, a versão idealizada pelo diretor, Ridley Scott e a Final Cut, a versão lançada no DVD Especial de 2007.

A Final Cut  ou a Director’s Cut são as versões que valem a pena ver. Elas não têm a cena final que os estúdios obrigaram Ridley Scott a adicionar. Eles acharam que se o filme acabasse do jeito que Scott havia idealizado, as pessoas não entenderiam nada.

Para mim, é um pouco desafiador escrever sobre cinema pois desconheço termos técnicos e minha experiência é a de uma simples telespectadora. Por isso eu escrevo sobre impressões banais de alguém que curte muito a sétima arte.

Em 1982 Ridley Scott criou uma obra prima inspirada no livro de Philipe K. Dick, Androides sonham com ovelhas elétricas?, que se tornou a percussora de um gênero fílmico, o sci-fi noir. Aquele sci-fi presente em filmes que retratam futuros distópicos, como Vingador do Futuro e tantos outros.

Blade Runner se passa em 2019 e narra a caçada do detetive Deckard, que é intimado a exterminar androides desertores, os Replicantes, que fugiram após causarem uma rebelião. Esses replicantes, pertencentes a geração Nexus 6, são extremamente parecidos com os seres-humanos apesar de possuírem grande força física e inteligência acima da média.

O filme pode parecer mais um thriller policial, com uma batalha homem versus máquina, mas ele vai muito além. A obra de Scott trata da condição que humaniza a todos, a possibilidade da morte e o sentimento de querer superá-la. Afinal, o que esses replicantes querem é encontrar o seu criador, Tyrell, e lhe impor que ele lhes forneça mais tempo de vida. Como uma suplica humana perante o criador, deus, ala etc.

O filme tem um dos monólogos mais incríveis da história do cinema, a última cena do replicante Roy: “I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die”.

As experiências e vivências dessas máquinas se evaporam assim como as humanas quando a hora da morte chega.

A continuação, Blade Runner 2049, chegou aos cinemas com muitos questionamentos. Estaria o longa de Denis Villeneuve a altura do seu precusor? E a resposta é sim.

A história se passa trinta anos depois e explora um pequeno espeto do primeiro filme, a singularidade da Replicante Rachel. Rachel, segundo o próprio Tyrell, era única. Ela não expiraria em 4 anos como Roy.

Em 2049 os novos replicantes estão integrados à sociedade e fazem trabalhos que não competem mais aos seres humanos, como o de um detetive. K é um novo modelo de androide e trabalha eliminando antigos modelos que ainda estão à solta. Em sua caçada ele se depara com a ossada de um replicante que morreu ao dar à luz, algo impensável. K, então, começa a buscar pela criança que nasceu desta replicante.

A história de 2049 é desenvolvida a partir de uma ponta solta da versão de 1982. O relacionamento entre Deckard e Rachel, algo minimamente explorado por Ridley Scott. Rachel engravida e isso a aproxima mais ainda do que é ser humano, a possibilidade de gerar “vida”.

O achismo de K, ele pensa e quer ser essa criança, também expressa a ânsia dos androides em busca de aspectos que o tornem humanos, ou seja, lembranças próprias, família, e uma singularidade que os tirem da condição de meras ferramentas de trabalho.

A sequência de Blade Runner não estraga o trabalho de Scott, ela completa de maneira delicada uma história que imaginávamos não precisar de uma continuidade ou explicação.

É previsível pensar que Blade Runner 2049 cumprirá o mesmo papel de Blade Runner 2019, a de ser um marco na história do cinema.

 

 

 

O Nobel de Economia

Começou em 1968, O Prêmio do Banco da Suécia para as Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, sim, esse é o nome oficial do prêmio e ao contrário do que as pessoas pensam, ele não faz parte da Fundação Nobel, a confusão acontece devido ao nome conter “em Memória de Alfred Nobel”.  Porém, não fazer parte da Fundação Nobel não diminui a sua importância.

Ao longo dos anos vimos grandes contribuições ganharem luz e se destacarem no prêmio. Nomes conhecidos como John Nash (1994), Milton Friedman (1976), Daniel Kahneman (2002), Paul Krugman (2008) e outros menos, como a Sra. Elinor Ostrem premiada em 2009, a primeira e única mulher a receber a homenagem.

É do Sr. Thaler, juntamente com Cass Sunstein, a criação do termo “Nudge”, “arquitetura da escolha” em português, mas que tem como tradução literal “empurrãozinho”, muito mais significativo e divertido. Digo significativo, pois o termo nada mais é do que uma orientação, cutudada, empurrão mesmo, que altera o comportamento do indivíduo, geralmente de maneira previsível.

A Pesquisa de Thaler é extremamente atual. Posso chutar que 80% da população tem problemas em guardar dinheiro. Sabemos o quão importante é ter uma reserva para eventuais necessidades, o quão importante é conseguir pagar a fatura do cartão de crédito. Se sabemos que cuidar bem do dinheiro é importante, por que não conseguimos? Aí é que entra a pesquisa de Thaler. Ele busca razões para tal comportamento na parte irracional do individo. Ao contrário das teorias economicas antigas, não agimos com recionalidade quando o assunto é dinheiro.

O mérito de Thaler é analisar o individuo e verificar que algumas ações estão bem longe da racionalidade. Mapear o comportamento humano, e mostrar que as ciências econômicas estão bem longe de análises de padrões e cada vez mais perto do comportamento singular.

Afinal, Economia não é apenas sobre números e cifrões, mas é, também, sobre o ser humano.

Mariana Zucheli

As séries que mais assisti

esta semana estava eu dentro de um vagão do metrô, lotado como de costume, com todo mundo apertado, compartilhando um pouco de calor humano. Eis que à minha frente, avisto uma mulher olhando atentamente para a sua tela de celular, dou uma focada na imagem e vejo cenas familiares: a moça estava assistindo Friends!

Não resisti e acabei assistindo um pouquinho enquanto a minha estação não chegava. Eu sei que isso é invasão da privacidade alheia, mas eu nem consegui esquivar a tela do celular do meu campo de visão. Estávamos como sardinhas numa lata.

Eu já assisti essa série um trilhão de vezes. Toda noite eu a deixo ligada no Netflix e as vozes do Chandler, da Rachel e cia me fazem dormir tranquilamente. Às vezes é como se a série fosse o meu protetor de tela, eu deixo ela lá, rodando enquanto faço outras tarefas.

Antigamente eu fazia isso com The Office também (a versão americana), mas ela saiu do streaming.

Mas, recentemente, descobri outra série com o mesmo efeito, a Brooklyn Nine Nine, uma série sobre o dia a dia em uma delegacia de polícia um pouco bagunçada e com policiais bem engraçados. Ela vem, aos poucos, se tornando meu segundo sonífero.

O que essas duas séries têm em comum? Ambas são séries de comédia. Acho que o cérebro relaxa assistindo esse gênero televisivo, embora eu não possa afirmar pois nunca fui atrás de estudos sobre o assunto.

É reconfortante ligar a TV e deixá-las lá… passando.

Talvez eu tenha um problema, não sei, até sei as falas de cor… (engraçado que a expressão “de cor” vem da palavra cor que significa coração em latim)

E você, qual série você já assistiu inúmeras vezes? Aquela com a qual você tem uma conexão especial…

 

 

 

 

Quando me senti como Tom Hanks

No mês passado eu tirei férias. Resolvi que iria para Nova York, um lugar que sempre quis visitar e também daria uma passada no Canadá, um lugar super legal. Planejei a viagem desde abril, quando comprei as passagens.

O que eu não sabia, é que eu tinha comprado bilhetes com a Cia Aérea From Hell.

Na ida eu estava toda felizona no aeroporto do Panamá, afinal, na escala eu me dei conta de que a viagem estava se tornando real. Na hora de embarcar no portão 11, descobri que a minha passagem estava carimbada, fadada ao desespero, nela estava estampado um gigantesco STY, me perguntei, antes de tentar entrar, “Que assento seria esse?” Descobri que é um assento fora do avião, no portão de embarque mesmo. Minha passagem estava em modo de espera, ou seja, sofri um overbooking. Eu nem sabia o que era aquilo até o panamenho, sem a mínima piedade, me explicar.

Eu embarcaria umas 9h da manhã. Pensei então: “Tudo bem, eles nos colocam no próximo voo, Panamá – Nova York deve ser tipo um Rio – São Paulo, tem voos de meia em meia hora”. Não tinha. O próximo era 18h da tarde.

Bora encarar umas 10 horinhas nesse aeroporto. Dormir no chão não é a minha especialidade mas eu me virei. Embarcamos 18h20. Chegamos em Nova York umas 2h da manhã, cheguei no hotel umas 4h me sentindo como se estivesse retornando de uma guerra. Eu estava podre.

Nova York e Montreal foram demais, passeamos muito, andei muito, criei mais bolhas do que dedos nos pés, mas valeu a pena. Comi muita coisa diferente e ingeri calorias até saírem pelos olhos.

Na volta, saímos do Canadá de ônibus rumo aos EUA. “De ônibus?” Sim, gente! Quis economizar. Segundo erro da viagem. O Primeiro foi a Cia From Hell.

Pegar estrada no EUA de noite é emocionante, a gente passa por vários lugares que parecem saídos dos filmes de terror, hotéis de beira de estrada tipo daquele filme “Vacancy”. Foi supimpa. Cheguei no JFK virada. Sem dormir. Mas eu ia embarcar 9h da manhã então dormiria no avião, sem problemas.

Mas daí, o pesadelo começou. O Fucking Aeroporto do Panamá ficou sem energia. SEM ENERGIA. Que aeroporto internacional fica sem energia? Como isso era possível? Vi na TV os furacões,  José e Maria estavam na área de Porto Rico. Olhei no mapa e vi que Porto Rico ficava perto do Panamá. Ferrou!

Falei para meu namorado: “A gente não vai mais sair daqui!”. A Cia From Hell disse que iria remanejar nosso voo. E lá fomos os 130 passageiros fazer o checking novamente e tentar um encaixe em outras Cias Aéreas. Nessa altura do campeonato eu estava sem dormir, sem comer e com o cabelo grudado na cabeça de tão limpo. A gente conseguiu ser atendido pela CFH (Cia From Hell) umas 19h da noite, umas oito horas depois de sabermos que não haveria mais voos para o Panamá. Eles nos colocaram em um voo da Delta, que sairia do JKF umas 21h20 direto para o Brasil. Um voo direto!!! Eu tava feliz, embora desnutrida. “Só mais umas 9 horas de voo e eu chego na minha cama!”. E lá fomos nós fazer o checking na Delta, passar pela alfândega novamente (imaginei que os policias americanos iam pensar que eu estava brincando de entra e sai do país).

A CFH, que nessa altura tinha subido um pouco no meu conceito, nos deu um voucher de 40 dólares para jantar no aeroporto, eu passei pelos políciais umas 20h30 da noite, tinhas uns 50 minutos para chegar no portão da Delta. Peguei aquele voucher, saí correndo em direção ao McDonalds (só um big mac me acalmaria naquela hora), peguei dois big macs, deu 14 dólares, a mulher do caixa disse “você não quer mais nada mesmo?” e eu disse com o coração partido: “moça, não tenho tempo de pedir mais nada, já vou embarcar”. Mal sabia eu que aqueles 26 dólares fariam falta mais tarde.

Peguei os lanches e saí comendo pelo aeroporto, tipo uma louca esfomeada.

Cheguei no portão da Delta e descobri que o voo tinha sido cancelado. ARE YOU FUCKING KIDDING ME?! Sério! A aeronave estava com problema.

Eu tava desolada! Que horas eu embarcaria? Sem respostas.

A Delta disse que daria hotel para todos e eu fiquei me sentindo melhor, pelo menos eu poderia tomar um banho, tava preparada para comprar um Sal Grosso também.

Na hora de pegar o voucher do hotel, descobrimos que a Delta não daria vouchers para os tripulantes que eram da CFH. Nãaaaao!! Sim. A CFH fez nosso cadastro errado e o nosso status estava como residentes de NY indo para o Brasil, ou seja, para a Delta nós tínhamos lugar para ficar na cidade. Eu sentei e chorei.

Todos nós, ex clientes da CFH, ficamos lá, dormindo no chão e para amenizar a situação, a Delta nos deu snacks e cobertor. Pensei em perguntar se eu poderia tomar banho na pia do JFK mas achei rude. A Gente fez uma mini aglomeração/zona como vocês podem ver na foto abaixo.

Acho que foi a pior noite de sono da minha vida.

Nosso voo estava marcado para 9h20 da manhã. Mas fomos informados de que as coisas poderiam mudar graças a Maria, que naquela altura já era escala 5 e estava vindo para os EUA. Funcionários da Delta falaram que o JFK poderia fechar e só abrir dia 21. Isso significava que poderíamos ficar no aeroporto por mais dois dias

Como?! Eu tinha 25 dólares na carteira e poderia ter que ficar naquele fucking aeroporto esperando a chance de embarcar. Na minha cabeça, a única imagem que surgia era a de Tom Hanks no filme O Terminal. Comecei a me imaginar coletando carrinhos para ganhar moedas e comendo cream cracker com ketchup.

Embarcamos 9h20 da manhã e o voo foi ótimo, a Delta nos tratou muito bem, não sei se era um regalo pela cagada feita ou se o serviço dela é bom mesmo.

Cheguei aliviada no Brasil umas 21h da noite.

Depois de todo esse transtorno várias lições ficam: Nunca mais CFH, nunca mais economizo em passagem, só saio para o EUA com voo direto. A chance de dar merda deve ser bem menor. E a lição que fica para vocês, após todo esse relato é: Nunca viagem comigo! Acho que vocês já perceberam que tenho pouca sorte com aeroporto e afins.

Photo by chuttersnap on Unsplash

O que você colocaria na sua parede?

Recentemente, comecei a reformar alguns cômodos da minha casa. Toda reforma é um caos. As coisas nunca saem no prazo, e o que é para terminar em quinze dias acaba consumindo dois meses da sua paciência. Porém, o stress com pedreiros, pintores é recompensado na hora que entramos no novo ambiente. Paredes lisinhas, limpas e bonitas. É sempre bom mudar, trocar a cor, jogar fora coisa velha, isso tudo muda a energia da casa.
A última etapa é a mais legal. É a hora de redecorar. Esta etapa dá uma sensação de dever cumprido, um sentimento de que tudo ficará bem pois o pior/pó já passou.

Pra mim, decorar um ambiente não é sobre “o que combina com o quê”, mas sobre o que determinado quadro, objeto diz, significa para você. Muita gente acha brega, por exemplo, ter porta-retratos espalhados pela casa. Eu não ligo, acho que ter a fotografia de pessoas especiais sempre à vista é um privilégio.

Os quadros que vão na minha parede são especiais, não sei se “ornam” esteticamente, mas dane-se. São pôsteres de viagens feitas, slogans que me lembram do trabalho, dos meus gostos. Eu não ligo se é kitsch ou bauhaus.

Pensei no que eu acrescentaria à minha parede e elegi algumas obras que me fariam feliz.

Eu teria, com certeza, um quadro de Jackson Pollock. O caos das pinceladas me acalma.

Teria, também, A Grande Onda de Kanagawa. Uma xilogravura de 1830. A arte japonesa é incrível

Um Piet Mondrian não faltaria na minha parede. Poucas pessoas gostam, mas eu acho fascinante.

E por fim, o mais belo de todos. A Noite Estrelada do mestre van Gogh

e você, o que você colocaria na sua parede?