Eu ganhei esse livro em 2012, e desde então, tentei lê-lo umas três vezes.

Não por achar sua escrita difícil ou tediosa, mas por que o assunto que Sean Howe trata em sua obra, a história da Marvel, é uma das coisas que mais me fascinam na cultura pop e eu li e reli os parágrafos tentando fazer as conexões dos nomes das empresas, dos desenhistas e editores querendo compreender tudo.

Comecei, pela quarta vez, sua leitura no mês passado.

A história da Marvel é bem complexa. A empresa nasceu em meados de 1934 pelas mãos de Martin Goodman, que na época publicava os pulps, que eram revistinhas em papel barato cuja temática rondava histórias noir, western e ficção científica.

A Marvel era um braço da Timely Publications que se estabeleceu, sob a supervisão de Goodman, em 1939.

Desde 1939, a editora, com sua concorrente Detective Comics já estabelecida no mercado, saiu à procura de roteiristas e desenhistas que pudessem, também, criar super-heróis que competiriam com o sucesso de vendas do Superman, lançado na Action Comics em 1938, Batman etc. Em outubro de 1939 o Tocha-humana fez sua estreia nos pulps tendo como arqui-inimigo Namor, o príncipe submarino.

A sacada da Timely foi, como bem apontou Howe, utilizar como pano de fundo para as aventuras desses seres fantásticos a velha cidade já conhecida e amada pelos leitores daqueles gibis. Tocha Humana e Namor se enfrentavam pelas ruas de Manhattan. Os cenários eram o rio Hudson, o Empire State Bulding, e outros pontos turísticos da grande maçã. Diferente da proposta da DC, a Timely não investia em universo intergaláctico, mas apostava no mundano e acertava, e muito. Ela faturava uns 30 mil dólares com as revistinhas do Tocha e isso era um grande montante, levando em conta que cada exemplar custava, mais ou menos, uns 10 cents.

Grandes nomes vieram ao encontro de Goodman, na época, garotos cursando faculdade de artes ou apenas garotos com talento à procura de uma oportunidade na indústria que fabricava aquilo que eles mais amavam, imaginação. Jack Kirby chegou, Steve Ditko e Stanley Lieber, o Stan Lee, também apareceram. Garotos que aprenderam colocando a mão na massa e se sujeitando a todo tipo de trabalho. Stan Lee começou jovem na Timely, com uns 14 anos, e era o responsável pelo cafezinho, além de ser o office boy. Em suas primeiras histórias, Stan Lee assinou seu nome desta forma por achar que o escrevia no começo da carreira era muito ruim e aquelas tirinhas poderiam sujar sua futura imagem.

Lee cresceu, na vida e na empresa. Kirby e Ditko saíram e voltaram. Outros artistas vieram, como John Romita. Capitão América lutou contra Hitler e deu esperança aos americanos em tempos sombrios. A Guerra-Fria chegou, fez parte de inúmeras histórias e nos presenteou com o Quarteto-Fantástico, cuja inspiração para a criação de um super time saiu da concorrente e sua Liga da Justiça da América. Todo super-herói lutava contra ameaças comunistas.

A primeira história sob o selo Marvel Comics foi do Quarteto, que ganhou sua própria versão do Tocha-Humana, um herói que ressuscitou repaginado.

E a Timely que era uma empresa de um andar cresceu. Sem deixar de passar por quase falências. Entre altos e baixos surgiram Homem-Aranha, Vingadores, Demolidor etc., toda uma gama de super-heróis que encantam até hoje.

Essas histórias que já fascinaram gerações lidavam com questões que faziam muito sentido para a época, como o medo da guerra, o terror nazista. Criaram gerações de leitores que se espelhavam naqueles personagens. Todo mundo queria ser um super-herói, ser correto e fazer sempre o bem.

Gosto de pensar que além da diversão, as histórias em quadrinhos são capazes de ajudar na edificação dos leitores. Sou grata a elas e especialmente à Marvel por ter me presenteado com uma infância divertida, esperançosa e acima de tudo, super-heróica.