Mais de uma luz

Neste fim de semana, fui ao lançamento do livro Mais de uma luz de Amós Oz. O escritor, com seus 77 anos, voou de Israel, lugar onde vive, direto para uma aglomeração de mais de 400 pessoas, embora o evento tivesse sido organizado para 250. O fato de ficar em um avião durante 14 horas, chegar ao Brasil e participar de uma palestra/bate papo abarrotada, com pessoas empoleiradas em escadas, mostra a generosidade de Amós.

Seu livro, Mais de uma luz, é uma junção de 3 ensaios, cujo subtítulo, Fanatismo, fé e convivência no século XXI, resume bem o conteúdo de seus textos. Um tema extremamente atual.

Amós, em sua palestra, nos avisou que possuía a cura para todo tipo de fanatismo e que se pudesse a distribuiria em cápsulas, como um remédio para a doença mais infecciosa e perigosa que enfrentamos. As pílulas de Amós seriam recheadas de um aspecto da personalidade humana que parece ter sido deixado de lado nesses tempos sombrios que vivemos, elas viriam repletas de senso de humor, de risada, da capacidade de rirmos de nós mesmos. Amós diz que nunca viu um fanático rir de si mesmo. Ouvi aquela simples solução com um sorriso de esperança no rosto. Quão simples. Rir de si mesmo é sempre o melhor remédio. Uma pessoa com bom humor nunca está de mal de ninguém. Toda religião tem defeito, afinal são dogmas muito antigos, fundados numa época muito diferente da qual vivemos, e é uma virtude saber reconhecê-los. Se alguém zomba de sua religião, ria.

A lição que Amós me deixou, em seus 40 minutos de fala, ficará marcada. Levarei suas palavras de otimismo para a vida toda, e as críticas vindouras serão acolhidas com muito bom humor. Espero que aquele salão lotado, recheado de diversas crenças, com toda certeza, tenha saído daquela Casa do Povo com o mesmo sentimento que o meu. Se Amós foi capaz de tocar 400 pessoas, então sua obra já terá valido a pena.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *