Bibliothèque Idéale du naufragé

Comecei a ler um livro bem interessante, Bibliothèque Idéale du naufragé de François Armanet. Essa obra é diferente de tudo que já li. Editado pela editora francesa Flammarion, o livro de Armanet reúne escritores do mundo todo e lhes propõe a simples pergunta: Quais são os três livros que você levaria para uma ilha deserta?

A ideia do livro foi concebida quando François Armanet trabalhava na revista Le Nouvel Observateur e conversou com mais de duzentos escritores, Milan Kundera, Amos Oz, Mario Vargas Llosa. Durante a entrevista, ele sempre colocava a questão: quais seriam os três livros?

Essas respostas viraram um livro, bem divertido e curioso, que conta com as ilustrações de Stéphane Trapier, um dos ilustradores do Le Monde.

Lendo-o eu percebi que existem livros “hors concours”, que aparecem em duas a cada três respostas, como Em busca do tempo perdido, de Proust, Dom Quixote, de Cervantes, a Bíblia, alguma obra de Shakespeare. Ou seja, livros já consagrados na história da humanidade. Eu não esperaria diferente, escritores/entendedores da literatura mundial só reafirmaram a importância de tais obras.

Quando cheguei na página 49, Harlan Coben, autor americano que publica, em suma, livros de mistério, fez o seguinte questionamento: por que levar um livro que já li? Por que reler? “Meus livros preferidos continuarão vivos na minha mente”, Coben disse, “uma ilha deserta seria o lugar ideal para ter uma nova experiência”, completou. Ou seja, ele levaria livros novos, os quais nunca leu.

Fiquei penando nisso, pois até a página 49 eu, mentalmente, estava fazendo uma lista dos livros que já li, tentando eleger apenas três para levar para a minha ilha. Com as palavras de Coben eu mudei meu pensamento, percebi que seria muito mais interessante ler algo que nunca havia lido. Me imaginei entediada em um lugar rodeado por mar, com apenas água de coco para beber e tendo que ler uma história que eu já conhecia, que já sabia o começo, meio e fim. Tédio total! Não sobreviveria muito mais tempo.

É verdade que levando livros que ainda não li, que não conheço, eu poderia ficar presa a livros chatos, enfadonhos. Sim, mas eu também corro o “risco” de levar um livro ótimo, capaz de me dar “sobrevida” enquanto presa na ilha. É um caso de 50/50.  E entre a aposta  “segura”, porém entediante, eu me aventuraria.

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