Quando me senti como Tom Hanks

No mês passado eu tirei férias. Resolvi que iria para Nova York, um lugar que sempre quis visitar e também daria uma passada no Canadá, um lugar super legal. Planejei a viagem desde abril, quando comprei as passagens.

O que eu não sabia, é que eu tinha comprado bilhetes com a Cia Aérea From Hell.

Na ida eu estava toda felizona no aeroporto do Panamá, afinal, na escala eu me dei conta de que a viagem estava se tornando real. Na hora de embarcar no portão 11, descobri que a minha passagem estava carimbada, fadada ao desespero, nela estava estampado um gigantesco STY, me perguntei, antes de tentar entrar, “Que assento seria esse?” Descobri que é um assento fora do avião, no portão de embarque mesmo. Minha passagem estava em modo de espera, ou seja, sofri um overbooking. Eu nem sabia o que era aquilo até o panamenho, sem a mínima piedade, me explicar.

Eu embarcaria umas 9h da manhã. Pensei então: “Tudo bem, eles nos colocam no próximo voo, Panamá – Nova York deve ser tipo um Rio – São Paulo, tem voos de meia em meia hora”. Não tinha. O próximo era 18h da tarde.

Bora encarar umas 10 horinhas nesse aeroporto. Dormir no chão não é a minha especialidade mas eu me virei. Embarcamos 18h20. Chegamos em Nova York umas 2h da manhã, cheguei no hotel umas 4h me sentindo como se estivesse retornando de uma guerra. Eu estava podre.

Nova York e Montreal foram demais, passeamos muito, andei muito, criei mais bolhas do que dedos nos pés, mas valeu a pena. Comi muita coisa diferente e ingeri calorias até saírem pelos olhos.

Na volta, saímos do Canadá de ônibus rumo aos EUA. “De ônibus?” Sim, gente! Quis economizar. Segundo erro da viagem. O Primeiro foi a Cia From Hell.

Pegar estrada no EUA de noite é emocionante, a gente passa por vários lugares que parecem saídos dos filmes de terror, hotéis de beira de estrada tipo daquele filme “Vacancy”. Foi supimpa. Cheguei no JFK virada. Sem dormir. Mas eu ia embarcar 9h da manhã então dormiria no avião, sem problemas.

Mas daí, o pesadelo começou. O Fucking Aeroporto do Panamá ficou sem energia. SEM ENERGIA. Que aeroporto internacional fica sem energia? Como isso era possível? Vi na TV os furacões,  José e Maria estavam na área de Porto Rico. Olhei no mapa e vi que Porto Rico ficava perto do Panamá. Ferrou!

Falei para meu namorado: “A gente não vai mais sair daqui!”. A Cia From Hell disse que iria remanejar nosso voo. E lá fomos os 130 passageiros fazer o checking novamente e tentar um encaixe em outras Cias Aéreas. Nessa altura do campeonato eu estava sem dormir, sem comer e com o cabelo grudado na cabeça de tão limpo. A gente conseguiu ser atendido pela CFH (Cia From Hell) umas 19h da noite, umas oito horas depois de sabermos que não haveria mais voos para o Panamá. Eles nos colocaram em um voo da Delta, que sairia do JKF umas 21h20 direto para o Brasil. Um voo direto!!! Eu tava feliz, embora desnutrida. “Só mais umas 9 horas de voo e eu chego na minha cama!”. E lá fomos nós fazer o checking na Delta, passar pela alfândega novamente (imaginei que os policias americanos iam pensar que eu estava brincando de entra e sai do país).

A CFH, que nessa altura tinha subido um pouco no meu conceito, nos deu um voucher de 40 dólares para jantar no aeroporto, eu passei pelos políciais umas 20h30 da noite, tinhas uns 50 minutos para chegar no portão da Delta. Peguei aquele voucher, saí correndo em direção ao McDonalds (só um big mac me acalmaria naquela hora), peguei dois big macs, deu 14 dólares, a mulher do caixa disse “você não quer mais nada mesmo?” e eu disse com o coração partido: “moça, não tenho tempo de pedir mais nada, já vou embarcar”. Mal sabia eu que aqueles 26 dólares fariam falta mais tarde.

Peguei os lanches e saí comendo pelo aeroporto, tipo uma louca esfomeada.

Cheguei no portão da Delta e descobri que o voo tinha sido cancelado. ARE YOU FUCKING KIDDING ME?! Sério! A aeronave estava com problema.

Eu tava desolada! Que horas eu embarcaria? Sem respostas.

A Delta disse que daria hotel para todos e eu fiquei me sentindo melhor, pelo menos eu poderia tomar um banho, tava preparada para comprar um Sal Grosso também.

Na hora de pegar o voucher do hotel, descobrimos que a Delta não daria vouchers para os tripulantes que eram da CFH. Nãaaaao!! Sim. A CFH fez nosso cadastro errado e o nosso status estava como residentes de NY indo para o Brasil, ou seja, para a Delta nós tínhamos lugar para ficar na cidade. Eu sentei e chorei.

Todos nós, ex clientes da CFH, ficamos lá, dormindo no chão e para amenizar a situação, a Delta nos deu snacks e cobertor. Pensei em perguntar se eu poderia tomar banho na pia do JFK mas achei rude. A Gente fez uma mini aglomeração/zona como vocês podem ver na foto abaixo.

Acho que foi a pior noite de sono da minha vida.

Nosso voo estava marcado para 9h20 da manhã. Mas fomos informados de que as coisas poderiam mudar graças a Maria, que naquela altura já era escala 5 e estava vindo para os EUA. Funcionários da Delta falaram que o JFK poderia fechar e só abrir dia 21. Isso significava que poderíamos ficar no aeroporto por mais dois dias

Como?! Eu tinha 25 dólares na carteira e poderia ter que ficar naquele fucking aeroporto esperando a chance de embarcar. Na minha cabeça, a única imagem que surgia era a de Tom Hanks no filme O Terminal. Comecei a me imaginar coletando carrinhos para ganhar moedas e comendo cream cracker com ketchup.

Embarcamos 9h20 da manhã e o voo foi ótimo, a Delta nos tratou muito bem, não sei se era um regalo pela cagada feita ou se o serviço dela é bom mesmo.

Cheguei aliviada no Brasil umas 21h da noite.

Depois de todo esse transtorno várias lições ficam: Nunca mais CFH, nunca mais economizo em passagem, só saio para o EUA com voo direto. A chance de dar merda deve ser bem menor. E a lição que fica para vocês, após todo esse relato é: Nunca viagem comigo! Acho que vocês já perceberam que tenho pouca sorte com aeroporto e afins.

Photo by chuttersnap on Unsplash

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