Banco da depressão

Vou descrever o serviço de determinado banco e, ao final da leitura, tenho certeza que vocês serão capazes de adivinhar de qual banco eu estou falando.

A gente nunca sabe qual é o melhor horário para ir até lá. 10h, quando abre? No horário do Almoço? Depois dele? Fiquei com esta dúvida e resolvi que iria depois do almoço, pensei que por volta das 14h todas as pessoas que precisavam resolver assuntos financeiros em seus horários de almoço já teriam ido embora. E de fato, o banco não estava cheio, me deparei com meia duzia de pessoas sentadas com o olho, cheio de lágrimas, vidrado no painel da senha.

O fato é que todos, e eu quero que fique bem claro, TODOS os atendentes estavam almoçando. Sim, as 5, 6 mesas estavam vazias e permaneceram vazias até a minha desistência. Sabe, eu fico imaginando o quadro de funcionários em uma reunião decidir assim: “então, todo mundo vai almoçar da 12h até as 14h da tarde. Fechado?” “Fechado”. A possibilidade de existir um rodízio não deve ter passado pela cabeça deles, é uma prática muito complexa. Tinha funcionário, mas estes pareciam ser contratados para nada, ou só para enervar mais ainda os clientes. Eles ficavam andando de um lado para o outro, sem rumo, com papéis na mão.

Todas as pessoas reclamavam, e a cada minuto chegava mais gente, e quanto mais gente chegava mais reclamação. Imaginei o ombudsman do lugar e me deu calafrios. Tava juntando um pessoal furioso, a ponto de jogar as cadeiras pelos vidros. E os seguranças logo ficaram de prontidão, juntou uns quatro na frente da porta. E eu comecei a ficar tensa. Vai ter guerra civil e eu aqui no meio. Resolvi me retirar enquanto dava tempo.

Perdi tempo, dinheiro (peguei um uber até o purgatório), e não tive o meu problema resolvido.

No caminho de volta fiquei pensando num seriado que passou na tv Globo, os Aspones, onde, numa repartição pública, trabalhavam quatro pessoas, com um aspecto meio depressivo e que não faziam nada, tamanha a burocracia. Bateu aquela felicidade por não trabalhar num lugar assim, mas logo em seguida bateu um desespero, pois lembrei que terei que voltar lá, cedo ou trade.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *