sobre as paixões literárias

É engraçado, mas eles são bem parecidos. Ambos são detetives e de personalidade forte.

Sherlock Holmes é inglês e saiu da cabeça do médico escocês Sir Arthur Conan Doyle em 1886, na história Um Estudo em Vermelho. Sherlock tem como narrador de suas histórias seu inseparável companheiro: Dr. Jonh Watson. Já Hercule Poirot é belga e nasceu da multiescritora Agatha Christie em 1921, no romance O Misterioso Caso de Styles, e também possuí um fiel escudeiro que, muitas vezes, narra suas histórias: o Capitão Arthur Hastings.

Considero Holmes mais inteligente e astuto. Quando leio suas aventuras, sempre imagino que ele já sabe o desfecho da investigação na terceira frase do depoimento do suspeito. Poirot  me parece mais inquieto e gosta de exaltar a si mesmo. Embora o caso seja complicado e ele tenha dificuldade com a resolução, ele sempre a entrega com um ar de “eu já sabia desde o começo”.

As histórias de Poirot e Holmes são aventuras bem simples: um crime acontece e o detetive tem que desvendá-lo. E talvez por isso, frequentemente, os livros de Doyle e Christie sejam encarados como meros Best Sellers, ou livros de Viagem. São poucos os que os veem como “alta literatura” (um termo que detesto). Estas histórias se encaixam no estilo Whodunnit? ou Who Done It? que é o tipo de romance policial onde há inúmeros suspeitos para um crime e a identidade do culpado só é revelada no final da obra.

Dr. John Watson e Sherlock Holmes

Os romances desses grandes escritores podem ter o mesmo formato, podem ser acusados de plágios de si mesmos, mas o que realmente me importa é a sensação que eles causam quando estou lendo. O mistério tem esse dom de te fazer devorar lauda após lauda na esperança de confirmar a sua inteligência. Para mim, uma obra de 200 páginas termina fácil em um dia e meio.

Além desses dois escritores terem nos deixado um legado de histórias incríveis, Agatha Christie escreveu mais de 60 livros, eles influenciaram todo um gênero literário. O romance policial não seria o que é hoje sem Holmes. Maurice Leblanc, Georges Simenon, Hanna-Barbera com Scooby Doo (haha) e a própria Agatha Christie se inspiraram em Conan Doyle para criar suas histórias.

E digo mais, temos uma gama incrível de séries e filmes estreladas pelos dois detetives. Algumas são inspirações como é o caso de Sherlock, Elementary, os filmes de Guy Ritchie, e outras são adaptações mesmo, como as séries da BBC com Poirot e agora a refilmagem de Kenneth Branagh de o Assassinato no Expresso do Oriente, o livro mais famoso da Rainha do Crime.

 

E nós, fãs do romance policial, só temos a ganhar com isso. É muito bom ver que as ideias de Christie e Doyle continuam vivas e rendendo muita trama. Quero ver cada vez mais sherlockes e hercules na TV, no cinema e, também, na literatura.

E aqui fica a dica para algum filmmaker: façam um crossover! Seria maravilhoso ver uma aventura do time Hercule Holmes nas telas do cinema!

 

 

 

 

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