Toda vez que assisto um filme, seja do gênero que for, eu presto bastante atenção na trilha sonora. Algumas são puramente instrumentais, é o caso da maior parte dos filmes de ficção científica, como A Chegada, 2001. Mas a maior parte dos filme que vejo pertencem ao romance e à comédia, muitos são os chamados filmes “indie” e as trilhas sonoras desses, em particular, tendem a ser ótimas.

Recentemente vi dois filmes que se encaixam neste gênero, Away we go, um filme de Sam Mendes e The Hollars, filme de John Krasisnki. Ambos soundtracks são excelentes e de certa forma, ajudam a construir a narrativa do filme. A trilha de Away we go pertence, basicamente, a Alexi Murdoch e a sua música Wait, que é tocada na cena final, ajuda a compor e a expressar a densidade de sentimentos da personagem principal. Ela, Verona, se vê, finalmente, no lugar certo, depois de uma grande viagem pelos EUA em busca de um lar ideal onde pudesse criar o filho prestes a nascer. A letra de Murdoch diz:

Feel I’m on the verge of some great truth
Were I’m finally in my place
But I’m fumbling still for proof
And it’s cluttering my space
Casting shadows on my face

O lugar que Verona “encontra” é a casa onde viveu durante a infância, antes de perder os pais em um acidente. Verona finalmente está em seu lugar, em seu lar.

A cena com a música é essa:

Impossível assistir e não se emocionar. Agora imagine assistir sem a música, não emocionaria da mesma forma.

No filme The Hollars, há uma cena onde o personagem de Krasinski encontra o lugar onde brincava na infância. Nesta hora a música de fundo é a Another Story, da banda The Head and the Heart. E a letra diz:

These are just flames
Burning in your fireplace
I hear your voice and it seems
As if it was all a dream
I wish it was all a dream

Can we go on like it once was

Mais uma vez o sentimento do personagem é contado com a ajuda da música, John Hollar volta pra cidade onde cresceu, revê a família, a namorada da infância e tem que lidar com a doença da mãe. Ele encontra o balanço onde brincava e o que passa por sua cabeça é: “tudo não pode ser como era?”. Afinal, na infância as coisas são bem mais fáceis.

Dois filmes excelentes com trilhas sonoras fundamentais para fazer deles o que são:  duas grandes jornadas na direção do autoconhecimento e do encontro daquilo que falta.

Filme e música é igual a pão com manteiga, combina demais!

 

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