Hoje eu assisti ao filme Meia-noite em Paris do Woody Allen, embora eu goste muito do diretor/escritor, eu nunca tinha tido vontade de ver este filme, em particular. Eu nunca fui para Paris e como o filme se passa e respira a cidade, eu tive a sensação de que ele poderia estragar o meu primeiro contato com ela.

Me rendi depois de ver Manhattan Murder Mystery pois decidi que precisava ver a filmografia completa de Allen.

No Netflix tem uns 10 filmes dele e por coincidência na Editora onde trabalho, nós estamos em pesquisa e elaboração com algumas obras de escritores do século 20, como o próprio Fitzgerald, a Gertrude Stein e também Virginia Woolf. Decidi, então, que veria Meia-noite em Paris.

O filme é ótimo. Gil Pender conhece seus ídolos no momento em que o relógio badala meia-noite. Fantástico. Ele nos leva para uma época, Paris dos anos 20, onde queremos morar, onde queremos ser amigos de todos. Imagine viver no meio social de Hemingway, Stein, Picasso? Um deleite para qualquer apaixonado por literatura e artes.

Porém o que mais me chamou atenção no filme não foi nenhum personagem icônico, não foi Hemingway ou Cole Porter, mas um personagem bem secundário, interpretado pelo ator Michael Sheen, o Paul Bates. Bates é o típico cara chato, aquece que existe aos montes, aquele que podemos encontrar em qualquer faculdade, clube de leitura, bar, café, biblioteca, é o cara que acha que sabe tudo ­– às vezes sabe mesmo –, mas não consegue ficar de boca fechada, não consegue discordar mentalmente apenas , o tipo de pessoa que precisa ter a opinião correta sobre tudo e todos, aquele que discorda até da Carla Bruni (quem viu o filme vai entender).

É primordial evitar pessoas assim, elas são capazes de nos irritar em um grau elevado a ponto de fazer com que sintamos pena delas – elas devem ter uma vida muito vazia para agir do jeito que agem  – e pena é um sentimento péssimo.
Por um mundo com mais Gil Penders, aqueles que são sonhadores mesmo, e menos Paul Bates, aqueles que enchem o saco.

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