Recentemente li um livro que me tocou muito. Pantera no Porão é uma obra delicada e que, utilizando a visão de um menino de 12 ano, o Prófi, nos mostra um pouco de como foi a ocupação inglesa anos antes da criação do Estado de Israel.

Prófi é um garoto esperto que deseja ver seu país, ainda não formado, livre do invasores britânicos. Ele e mais dois amigos, Ben-Hur e Tchita, formam a POL, uma organização guerrilheira que visa jogar uma bomba no reinado de Jorge VI, lá no parlamento inglês.

A história de Prófi é, não integralmente, uma lembrança da vida de Amós Oz, escritor israelense nascido no ano de 1939 e cuja infância se passou numa Jerusalém de muitos líderes.

Do seu livro De Amor e Trevas, lançado em 2005, surgiu sua autobiografia, mais tarde adaptada para o cinema, que muito me lembrou o jovem Prófi, filho único de um pai escritor e uma mãe amorosa, cujas noites eram marcadas pelo toque de recolher que o governo britânico impunha a todos, fossem judeus ou não. É como se o Profi do livro de 1995 ecoasse na obra dos anos 2000.

Uma infância que por certo ficou muito bem gravada em Oz. E não poderia ser diferente, sua vivência se passou num país onde soldados alheios desfilavam pelas ruas com carabinas a tira-colo, onde o temor de bombas e tanques de guerra era constante.

A criança Amós cresce junto com sua nação, um Estado que se torna independente em 1948 e que nasce para reunir todos os judeus espalhados pelo mundo após inúmeras diásporas e sofrimento.