Carbonara à parte

Caminhar por Roma me deu a sensação de estar num parque arqueológico. As arquiteturas da cidade, às vezes moderna e quase sempre antiga, se misturam de forma única, um charme próprio. Bastava virar a esquina e eu já sacava a máquina fotográfica para tirar foto de algum monumento. Muitos eu já conhecia graças a uma pesquisa prévia, outros, só fotografei por que achei bonito mesmo.

Todos os cafés, restaurantes e bares eram muito convidativos. Demorei umas três horas para decidir o local do almoço. Passei pela Trattoria Da Lucia, coloquei um pé para dentro, o local era charmoso, titubeei e resolvi que pesquisaria mais um pouco. Dei o mesmo tratamento para outros cinco estabelecimentos e caí no Da Vito e Dina, na Via degli Scipioni, um ristorante vizinho do Papa.

Lá eu pedi a Seafood Pasta. É um macarrão que não deve ser muito típico, não sei, pra mim não tinha cara de comida italiana embora a pasta estivesse lá. Depois de comer muito Carbonara durante toda a viagem, é o prato mais barato da Itália, eu estava um pouco enjoada e frutos do mar me pareceu uma saída. Carbonara’s fans que não me julguem, mas o tal do Seafood estava delicioso.

Tomei vinho com a minha Seafood. Eu não gosto de vinho, ou pelo menos não gostava. Mas este é o charme da “bota”. Tudo que lá é fabricado tem um sabor diferente. Sai do país amando uma boa uva fermentada.

A próxima parada era na Fontana di Trevi, palco da Dolce Vita de Fellini. Na Fontana é muito comum as pessoas jogarem moedas e fazerem pedidos. Eu já tinha reservado as minhas cinco moedinhas, iria fazer cinco pedidos. Ficaria de costas e as arremessaria, uma de   cada vez.

Cheguei à Fontana. Quer dizer, eu achava que tinha chegado, pois eu nem conseguia vê-la. Naquele momento, aquela fonte era o lugar com a maior concentração de turista da face da terra. Certeza.

Na minha imaginação romanceada, eu encontraria a fonte e seria apenas ela e eu, numa conexão intima e profunda, faria meus pedidos e a luz que incidiria sobre sua água seria muito especial. Uma imaginação potencializada por uma exacerbada carga de leitura romanesca.

A Fontana, que mais parecia uma piscina pública num dia de muito sol, me decepcionou. Bem, não ela, mas o meio mundo que estava ali.

Eu fiz os cinco pedidos. Lancei as moedas de maneira meio torta, meio sem jeito.

Nenhum deles se realizou.

No dia seguinte, a visita seria ao Coliseu. Ao ir me aproximando dele, percebi que o pessoal do piscinão havia migrado pra lá também.

Andei pelas suas galerias repedindo “excuse-me” e trombando com meio mundo.

Passo por um casal, brasileiros, e ouço a mulher cochichar para o marido “nossa, como isso aqui tá lotado de turista!”. E percebo que faço parte daquilo, do isso, dos turistas. “Como posso reclamar do outros turistas se também sou uma?”, penso. Boto um sorriso amarelo no rosto e me pergunto onde posso deliciar o tiramisu mais próximo.

Photo by Izzy Boscawen on Unsplash

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