Era o último dia e o inevitável se aproximava. Todas aquelas tranqueiras espalhadas pelo quarto teriam que caber dentro de um espaço 60×40 cm.

Doze livros, quatrocentas e tantas mudas de roupa e mais uns cem cacarecos. A questão física era inviável, não caberia. Mas levando em conta a questão sentimental, Ana estava determinada a não deixar nenhum homem para trás.

Arrumar as malas havia se tornado um exercício muito mais exaustivo do que qualquer esteira numa academia. Ela ficou umas três horas tentando encaixar tudo aquilo e como num jogo de tetris, nenhum lugar deveria sobrar. Ainda havia a questão dos frágeis, eles não podiam ficar espalhados, dançando pela mala, e precisavam ser aninhados numa muda de roupa qualquer. Mais um trabalho.

Coloca aqui, tira dali, coloca de novo, ajeita um pouco, chora um pouco também — limpa o suor –, coloca novamente, usa o espaço da caneca — “por que comprei canecas?”, Ana pensou –, tira tudo das caixas que ocupam espaços desnecessários… E assim o malabarismo seguiu.

Umas tantas horas depois tudo estava no devido lugar.

Ana olhou para aquela mala fechada e bonitinha, para aquele quarto arrumado e sentiu um orgulho. Ela havia conseguido! Tudo estava dentro e permaneceria assim até o desembarque em sua casa.

Só que, após toda a euforia, veio um vazio. Ana percebeu que estava indo embora.

A gente aprende a gostar da cidade nova e nos dias finais da estadia começa até a se sentir como parte do lugar e do cotidiano das pessoas.

Então, Ana constatou: o último dia de férias é sempre uma merda!

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