Acabei de ler A insustentável leveza do ser de Milan Kundera. O livro começou meio morno e um pouco desestimulante, mas se o leitor persistir na leitura, como foi o meu caso, vai se deparar com uma história bem interessante páginas à frente. Kundera conta a história de quatro pessoas em uma Praga que se encontra em meio a uma invasão russa, onde a União Soviética entra, toma conta e instaura o comunismo. Tomas, Tereza, Sabina e Franz vivem no meio desse turbilhão de acontecimentos, exército nas ruas, censura e o principal: suas vidas pessoais, carregadas de marcas de um passado não muito distante, de encontros e desencontros, de amores, de sexo etc.

Kundera usa a vida desse quatro personagens para divagar sobre a dicotomia do peso e da leveza. O que é melhor? O que faz mais sentido na vida? O peso que te puxa como uma âncora, que te finca como raiz, estabelece sua vida e dá sentido a ela? Ou a leveza, que te torna irreal, mas livre?

“Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?” (Kundera)

Uma obra que nos faz refletir sobre nossa própria existência e imaginar o que escolheríamos, ser o peso ou a leveza.

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