Mariana gostava de arte. As paredes do seu pequeno apartamento eram recheadas de imagens que se dividiam em fotos preto e branco, reimpressões de pinturas famosas, pinturas de pessoas desconhecidas, mapas e figuras afetivas. Quase não se via a cor da tinta das paredes em alguns cômodos, poderia ser cinza ou branca, como saber?

Mariana também gostava de livros. Junto dos quadros os livros eram a segunda decoração em maior destaque. Alguns lidos outros pela metade e outros só folheados. Eles tinham cadeira cativa nas estantes que recheavam a sala e o seu quarto. Às vezes, também era possível encontrá-los no banheiro, ao lado do trono.

Diante dessas duas afirmações, é impossível dizer que Mariana não era uma pessoa culta, ou pelo menos interessada pelas faculdades criativas e instrutivas.

Mas Mariana tinha uma característica que soava como defeito para seus amigos mais próximos e familiares: Mariana detestava museus.

– Mariana, são as filas? Ou as pessoas amontadas? O que lhe incomoda? – perguntava a irmã.

– Nada disso! Eu só não gosto de sair de casa para admirar obras que eu poderia facilmente encontrar na internet ou nas páginas de um livro.

– Você é esquisita! – desdenhava a irmã.

Não gostar de ir a museus soava anticultural e muitos amigos diziam que ela não deveria espalhar essa informação.

Mas Mariana não se sentia mal. Ouvia e ignorava.

Era o começo do outono e as flores, aos poucos, iam embora e as folhas, que começavam a secar, ganhavam destaque.

Mariana parou diante de um Ipê e ficou por minutos observando o amarelo pisado no chão, o pouco de amarelo entre os galhos e se lembrou de Van Gogh.

Mariana era capaz de ver arte onde muitos ignoravam.

 

Photo by kevin laminto on Unsplash