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For Life

1960

My mother was born in 1960, the year of the first electronic computer.
In 1969, when she was 9, astronauts aboard the Apollo 11 arrived on the moon.
It was a special decade for humanity, but more special for me, cause on February 14, 1960, my mother arrived in this world in a family who lived on the banks of the Ipiranga River, the one where D. Pedro gave the cry. She was the oldest of three brothers.

She was always witty and clinging very easily to people.
But her greatest quality was to be the center of the family.
She never went to college, but that did not stop her from working in various places.
She had always been a dreamer, wanted to do medicine and even thought about being a flight attendant, even though she had never traveled by plane.

In 1990, when she was 30 years old, she was graced with the arrival of two girls, twins. Two at a time. She decided that she would not work anymore and that she would occupy the most important position of her life: to be a mother.
She liked the new position so much that ten years later she got a promotion, my brother. A sweet little boy.

My mom was the kind of person who was always okay, except when she was fighting with us. “You stay too much on the computer”; “Drop this phone”; “Wash that crockery”.
It was that kind of mother who put her children first.

Sometimes I hear that Pink Floyd’s song, Mother, and I remember of her.

Momma will not let anyone get dirty through
Momma’s gonna wait up until you get in
Momma will always find out where you’ve been
Momma’s gonna keep baby healthy and clean

She was like that, overprotective. And I hated it. Today, I miss it.

We learn to live with longing. We learn to cling to memories, photos, videos.
I keep small things that were hers. As if they were treasures. I know it’s silly, it’s just stuff. But it’s her stuff.

Time works well, it heals a lot and happily passes fast.
And what remains is the lesson that life is a breath, one day we are and another we are not.

Maybe that’s the most important lesson she left me.
We have to do what we want, here and now.

[…]

1960 will always be my favorite year.

Contramão

O táxi amarelo indicava a cidade. E mesmo que pensasse estar no Rio de Janeiro, o som que saia das bocas dos transeuntes já lhe avisava: “Você está mesmo em Nova York!”. Pensamento engraçado e meio bobo. Confabulou se a mesma cor do táxi era algum tipo de ligação entre as duas cidades, algum pacto da engenharia de trânsito. Não soube dizer e ficou com preguiça de pesquisar no google.

Nina largou as malas no hotel e correu para a rua, precisava respirar aquele ar, um cheiro que só aquela cidade possuía. O aroma nova-iorquino é uma soma de muitos odores e perfumes, a fumaça que escapa dos escapamentos dos carros; o ar que sai dos buracos do metrô; a pizza sendo assada; o café sendo passado. Eles se encontram e nos agraciam. Não é ruim, nem bom, é o que é.

A primeira parada foi para comer o que vinha salivando em sua boca desde a saída do Brasil. Um cheesecake, qualquer um. Pararia na primeira lanchonete e lá largaria quatro, cinco dólares com satisfação.

Na esquina, ao lado do hotel, havia um dinner, desses que a gente vê em filme, xicara branca, estofado vermelho. Lá se sentou e pediu a torta cor de creme. Era deliciosa, como imaginou que seria. Sozinha, sentiu-se feliz por não ter que dividir aquilo com alguém.

De olho no cheesecake até o fim não reparou que na ponta da sua mesa repousava um livro. Não era seu. Não viu quem deixara ali. “O livro estava aqui, todo esse tempo?”, pensou. O cheesecake havia tomado toda a sua atenção. Até aquele momento.

Pegou-o na mão. Era um romance noir. Folhou. Leu a quarta capa. Se interessou. O livro era uma brochura, sua capa era mole, mas ele tinha duas orelhas, numa delas repousava a foto do autor orgulhoso – alguém que imaginou que enriqueceria vendendo sua história –, na outra orelha estava um nome e um telefone, “o dono do exemplar”, pensou.

“Vou leva-lo comigo e tentar entrar em contato com essa pessoa”, pensou alto. O livro, porém, atiçou sua curiosidade. A capa, ao estilo Walter Popp, era interessante e convidativa. Começou a leitura quando conseguiu pegar o metrô, a caminho do Central Park.

Num banco do parque, aproveitou e leu mais algumas páginas. Sequer notou aquela paisagem de outono que começava a colorir de laranja o chão por onde as bicicletas, os patins, os tênis passavam.

A história, que prendeu Nina, era sobre uma moça, Susan, que ia ao encontro de um detetive, Jacob, e lhe pedia ajuda. Susan buscava um artefato raro, que fora roubado por uma gangue local. A busca por tal artefato já havia causado a morte de inúmeras pessoas. Jacob era a última esperança de Susan. “Uma cópia barata de O Falcão Maltes”, pensou.

A tal cópia barata a encantou de maneira surreal. Era aquele tipo de livro que te suga, que te faz devorar as páginas em busca da conclusão e que te faz implorar para que a história não chegue ao fim.

O romance noir parecia mágico. Fez Nina ignorar Nova York e agora, estava mexendo com a sua cabeça. Começara a ser perceber como Susan, a protagonista. Era loira como Susan, era insistente como Susan. Mas só isso. Nada além de uma corriqueira coincidência.

Voltando para o Hotel pensou “preciso devolver este livro”, Glover, o nome rabiscado na orelha “Deve estar a sua procura”.

O fato é que ela não conseguia, queria terminar a história que era bem longa, em torno de umas quinhentas páginas.

O livro estava arruinando sua viagem, não saia mais do hotel e quando saia, sentava-se em algum banco e ficava lá, lendo.

Nova York havia perdido esta batalha. Fora ignorada pelo romance noir, gênero que se consagrou em suas entranhas. A história era mais interessante que a grande maçã.

Susan, Jacob e o enredo, uma cópia de Dashiel Hammett, custaram dez mil reais, o valor que Nina havia investido em sua viagem.

Photo by Charisse Kenion on Unsplash

Julia Child

Recentemente, numa tarde de molho e com virose em casa, revi o filme Julie e Julia. Nele a personagem principal, Julie, decide, após encontrar-se desgostosa com a própria vida,  cozinhar todas as receitas presentes no livro Mastering the Art of French Cooking, de Julia Child, Simone Beck e Louisette Bertholle. O livro contém 524 receitas e Julie deve executá-las em apenas um ano, 365 dias x 524 receitas.

A ideia de Julie é fantástica. Imagine ter o tempo para, todos os dias, cozinhar as receitas que Julia Child desenvolveu e desmistificou (ela tornou a culinária francesa muito mais acessível). Jantar Boeuf Bourguignon seria maravilhoso, e na noite seguinte um Fricassée de poulet à l’ancienne? Eu nem sei o que é, mas o nome soa magnífico.

Porém, há dois problemas nisso tudo. O primeiro é o tempo. Eu não conheço as receitas do livro, mas imagino que algumas delas sejam trabalhosas, tipo o próprio Bourguignon. Ou seja, a pessoa teria que chegar relativamente cedo em casa e para isso, fugir do caótico trânsito de São Paulo. O segundo problema é: Julie não mora no Brasil. Fazer mercado em Nova York é infinitamente mais barato que aqui. Imagina quanto custa a tal da carne que vai no Bourguignon? Não é carne de segunda, é uma alcatra, que custa, em média, uns 25 reais. Sem chances. Só a carne custa 25, daí tem o vinho tinto (e você não vai querer usar um Sangue de Boi), as cenouras e mais tudo que vai. Essa janta sairá por uns 80 reais, no mínimo. Para a Julie a mesma janta deve sair por uns 25 dólares.

Impensável seguir os passos de Julie e Julia Child. Calculo que ao final do ano estaria quebrada, financeira e fisicamente. A vontade e o paladar eu tenho, só falta o dinheiro e o tempo mesmo.

Recently, in one afternoon of sauce and virose at home, I reviewed the movie Julie and Julia. In it, the main character, Julie, decides, after being displeased with her own life, to cook all the recipes present in the book Mastering the Art of French Cooking, by Julia Child, Simone Beck, and Louisette Bertholle. The book contains 524 recipes and Julie must run them in just one year, 365 days x 524 recipes.

Julie’s idea is fantastic. Imagine having the time to, every day, cook the recipes that Julia Child developed and demystified (she made French cooking much more accessible). Dinner Boeuf Bourguignon would be wonderful, and the next night a Fricassée de poulet à l’ancienne? I do not even know what it is, but the name sounds magnificent.

But there are two problems in all this. The first is time. I do not know the recipes of the book, but I imagine some of them are laborious, like Bourguignon himself. That is, the person would have to arrive relatively early at home and for that, to escape the chaotic traffic of São Paulo. The second problem is: Julie does not live in Brazil. Making a market in New York is infinitely cheaper than here. Can you imagine how much it costs for the meat that goes on Bourguignon? It is not second-rate meat, it is a rump steake, which costs, on average, about 25 reais. No chances. Only the meat costs 25, so there’s the red wine (and you will not want to use Sangue de Boi), the carrots and everything else that goes. This dinner will be about 80 reais, at least. For Julie, the same dinner should come out for about 25 dollars.

Unthinkable to follow in the footsteps of Julie and Julia Child. I estimate that by the end of the year I would be broken financially and physically. The will and the taste I have, all I need is money and time.

Uma, duas…

Enquanto despertava lentamente, o cheiro do café invadia o quarto, o mesmo aroma de todos os dias, que, embora repetitivo, não causava enjoo ou repudia. Fazia tudo as pressas, o banho, a escova no cabelo, a escolha da roupa de todo dia: uma calça jeans, um par de tênis e uma camiseta não tão surrada – havia sido comprada nas últimas férias.

A pressa tinha um sentido e demostrava, acima de tudo, o desleixo com a própria aparência. Sem maquiagem, de cara lavada, descia correndo as escadas para apreciar o que o aroma havia aguçado. Café, puro mesmo. Sem açúcar ou leite. Só o líquido preto na xícara branca, já machada, que visualmente gerava um contraste clichê, mas ainda sim incrível. O café era tomado com o bafo matinal, os dentes eram lavados depois afinal, a pasta de menta estragaria qualquer apreciação.

Café tomado, dente lavado. Hora de sair. Os compromissos diários do dia-a-dia já batiam na porta. Cindo minutos de atraso e o metrô estaria um inferno, mais do que o habitual. Teria mais gente, respirando o ar exalado pelo vizinho, por metro quadrado.

Os pensamentos que guiavam sua viagem se desenvolviam na seguinte ordem: “tenho três e-mails que precisam ser respondidos assim que eu colocar a minha bunda na cadeira; minha gaveta tá uma bagunça, talvez eu consiga arrumá-la hoje; será que o café estará pronto?”.

A segunda xicara, não branca, mas colorida estava estacionada na mesa, ao lado do bloco de notas todo rabiscado.

O aroma era o mesmo que invadira seu quarto. Não reconhecia diferenças entre marcas e sabores, seu cérebro só sabia que o conforto logo chegaria.

Café, reunião, café, almoço, café. E a terceira xícara chegava, com a esperança de ser a última, “ando bebendo muito café”, pensava.

Photo by IRENE COCO on Unsplash.

Encontros e desencontros

Hoje encontrei uma pessoa conhecida na rua. Só o vi passar. Ele era meu colega na época de colégio e era uma das pessoas mais engraçadas que já conheci. Tínhamos muitas afinidades. Vê-lo me fez sentir saudades daquela risada leve que a gente compartilhava. Não sei se ele ainda é aquela pessoa que me fazia rir horrores, mas mesmo que seja, não sei se conseguiria me reaproximar. Muito tempo passou e por mais que a gente ache que nunca mudamos, nós não somos nem um terço o que éramos.

Vê-lo me fez bem e me fez querer guardar pessoas especiais num frasco, no mesmo tempo espaço que as conheci. Eu as revisitaria de tempos em tempos e reviveria aqueles momentos. Cruel pra elas, maravilhoso pra mim.

As pessoas que passam pelas nossas vidas, digo as especiais, não deveriam só passar… deveriam ficar… de alguma maneira.

Today I saw a person that I used to know on the street. I just saw him pass. He was my college buddy and he was one of the funniest people I’ve ever met. We had many affinities. Seeing him made me miss that light laugh we shared. I do not know if he’s still the guy who used to made me laugh a lot, but even if he is, I do not know if we could get closer again. A lot of time has passed and no matter how much we think we’ve never changed, we’re not even a third of what we were.

Seeing him made me feel good and made me want to keep special people in a jar, at the same time space that I met them. I would revisit them from time to time and relive those moments. Cruel for them, wonderful for me.

The people who pass through our lives, only the special ones, should not just pass… they should stay… somehow.

As séries que mais assisti

esta semana estava eu dentro de um vagão do metrô, lotado como de costume, com todo mundo apertado, compartilhando um pouco de calor humano. Eis que à minha frente, avisto uma mulher olhando atentamente para a sua tela de celular, dou uma focada na imagem e vejo cenas familiares: a moça estava assistindo Friends!

Não resisti e acabei assistindo um pouquinho enquanto a minha estação não chegava. Eu sei que isso é invasão da privacidade alheia, mas eu nem consegui esquivar a tela do celular do meu campo de visão. Estávamos como sardinhas numa lata.

Eu já assisti essa série um trilhão de vezes. Toda noite eu a deixo ligada no Netflix e as vozes do Chandler, da Rachel e cia me fazem dormir tranquilamente. Às vezes é como se a série fosse o meu protetor de tela, eu deixo ela lá, rodando enquanto faço outras tarefas.

Antigamente eu fazia isso com The Office também (a versão americana), mas ela saiu do streaming.

Mas, recentemente, descobri outra série com o mesmo efeito, a Brooklyn Nine Nine, uma série sobre o dia a dia em uma delegacia de polícia um pouco bagunçada e com policiais bem engraçados. Ela vem, aos poucos, se tornando meu segundo sonífero.

O que essas duas séries têm em comum? Ambas são séries de comédia. Acho que o cérebro relaxa assistindo esse gênero televisivo, embora eu não possa afirmar pois nunca fui atrás de estudos sobre o assunto.

É reconfortante ligar a TV e deixá-las lá… passando.

Talvez eu tenha um problema, não sei, até sei as falas de cor… (engraçado que a expressão “de cor” vem da palavra cor que significa coração em latim)

E você, qual série você já assistiu inúmeras vezes? Aquela com a qual você tem uma conexão especial…

 

 

 

 

Quando me senti como Tom Hanks

No mês passado eu tirei férias. Resolvi que iria para Nova York, um lugar que sempre quis visitar e também daria uma passada no Canadá, um lugar super legal. Planejei a viagem desde abril, quando comprei as passagens.

O que eu não sabia, é que eu tinha comprado bilhetes com a Cia Aérea From Hell.

Na ida eu estava toda felizona no aeroporto do Panamá, afinal, na escala eu me dei conta de que a viagem estava se tornando real. Na hora de embarcar no portão 11, descobri que a minha passagem estava carimbada, fadada ao desespero, nela estava estampado um gigantesco STY, me perguntei, antes de tentar entrar, “Que assento seria esse?” Descobri que é um assento fora do avião, no portão de embarque mesmo. Minha passagem estava em modo de espera, ou seja, sofri um overbooking. Eu nem sabia o que era aquilo até o panamenho, sem a mínima piedade, me explicar.

Eu embarcaria umas 9h da manhã. Pensei então: “Tudo bem, eles nos colocam no próximo voo, Panamá – Nova York deve ser tipo um Rio – São Paulo, tem voos de meia em meia hora”. Não tinha. O próximo era 18h da tarde.

Bora encarar umas 10 horinhas nesse aeroporto. Dormir no chão não é a minha especialidade mas eu me virei. Embarcamos 18h20. Chegamos em Nova York umas 2h da manhã, cheguei no hotel umas 4h me sentindo como se estivesse retornando de uma guerra. Eu estava podre.

Nova York e Montreal foram demais, passeamos muito, andei muito, criei mais bolhas do que dedos nos pés, mas valeu a pena. Comi muita coisa diferente e ingeri calorias até saírem pelos olhos.

Na volta, saímos do Canadá de ônibus rumo aos EUA. “De ônibus?” Sim, gente! Quis economizar. Segundo erro da viagem. O Primeiro foi a Cia From Hell.

Pegar estrada no EUA de noite é emocionante, a gente passa por vários lugares que parecem saídos dos filmes de terror, hotéis de beira de estrada tipo daquele filme “Vacancy”. Foi supimpa. Cheguei no JFK virada. Sem dormir. Mas eu ia embarcar 9h da manhã então dormiria no avião, sem problemas.

Mas daí, o pesadelo começou. O Fucking Aeroporto do Panamá ficou sem energia. SEM ENERGIA. Que aeroporto internacional fica sem energia? Como isso era possível? Vi na TV os furacões,  José e Maria estavam na área de Porto Rico. Olhei no mapa e vi que Porto Rico ficava perto do Panamá. Ferrou!

Falei para meu namorado: “A gente não vai mais sair daqui!”. A Cia From Hell disse que iria remanejar nosso voo. E lá fomos os 130 passageiros fazer o checking novamente e tentar um encaixe em outras Cias Aéreas. Nessa altura do campeonato eu estava sem dormir, sem comer e com o cabelo grudado na cabeça de tão limpo. A gente conseguiu ser atendido pela CFH (Cia From Hell) umas 19h da noite, umas oito horas depois de sabermos que não haveria mais voos para o Panamá. Eles nos colocaram em um voo da Delta, que sairia do JKF umas 21h20 direto para o Brasil. Um voo direto!!! Eu tava feliz, embora desnutrida. “Só mais umas 9 horas de voo e eu chego na minha cama!”. E lá fomos nós fazer o checking na Delta, passar pela alfândega novamente (imaginei que os policias americanos iam pensar que eu estava brincando de entra e sai do país).

A CFH, que nessa altura tinha subido um pouco no meu conceito, nos deu um voucher de 40 dólares para jantar no aeroporto, eu passei pelos políciais umas 20h30 da noite, tinhas uns 50 minutos para chegar no portão da Delta. Peguei aquele voucher, saí correndo em direção ao McDonalds (só um big mac me acalmaria naquela hora), peguei dois big macs, deu 14 dólares, a mulher do caixa disse “você não quer mais nada mesmo?” e eu disse com o coração partido: “moça, não tenho tempo de pedir mais nada, já vou embarcar”. Mal sabia eu que aqueles 26 dólares fariam falta mais tarde.

Peguei os lanches e saí comendo pelo aeroporto, tipo uma louca esfomeada.

Cheguei no portão da Delta e descobri que o voo tinha sido cancelado. ARE YOU FUCKING KIDDING ME?! Sério! A aeronave estava com problema.

Eu tava desolada! Que horas eu embarcaria? Sem respostas.

A Delta disse que daria hotel para todos e eu fiquei me sentindo melhor, pelo menos eu poderia tomar um banho, tava preparada para comprar um Sal Grosso também.

Na hora de pegar o voucher do hotel, descobrimos que a Delta não daria vouchers para os tripulantes que eram da CFH. Nãaaaao!! Sim. A CFH fez nosso cadastro errado e o nosso status estava como residentes de NY indo para o Brasil, ou seja, para a Delta nós tínhamos lugar para ficar na cidade. Eu sentei e chorei.

Todos nós, ex clientes da CFH, ficamos lá, dormindo no chão e para amenizar a situação, a Delta nos deu snacks e cobertor. Pensei em perguntar se eu poderia tomar banho na pia do JFK mas achei rude. A Gente fez uma mini aglomeração/zona como vocês podem ver na foto abaixo.

Acho que foi a pior noite de sono da minha vida.

Nosso voo estava marcado para 9h20 da manhã. Mas fomos informados de que as coisas poderiam mudar graças a Maria, que naquela altura já era escala 5 e estava vindo para os EUA. Funcionários da Delta falaram que o JFK poderia fechar e só abrir dia 21. Isso significava que poderíamos ficar no aeroporto por mais dois dias

Como?! Eu tinha 25 dólares na carteira e poderia ter que ficar naquele fucking aeroporto esperando a chance de embarcar. Na minha cabeça, a única imagem que surgia era a de Tom Hanks no filme O Terminal. Comecei a me imaginar coletando carrinhos para ganhar moedas e comendo cream cracker com ketchup.

Embarcamos 9h20 da manhã e o voo foi ótimo, a Delta nos tratou muito bem, não sei se era um regalo pela cagada feita ou se o serviço dela é bom mesmo.

Cheguei aliviada no Brasil umas 21h da noite.

Depois de todo esse transtorno várias lições ficam: Nunca mais CFH, nunca mais economizo em passagem, só saio para o EUA com voo direto. A chance de dar merda deve ser bem menor. E a lição que fica para vocês, após todo esse relato é: Nunca viagem comigo! Acho que vocês já perceberam que tenho pouca sorte com aeroporto e afins.

Photo by chuttersnap on Unsplash

O que você colocaria na sua parede?

Recentemente, comecei a reformar alguns cômodos da minha casa. Toda reforma é um caos. As coisas nunca saem no prazo, e o que é para terminar em quinze dias acaba consumindo dois meses da sua paciência. Porém, o stress com pedreiros, pintores é recompensado na hora que entramos no novo ambiente. Paredes lisinhas, limpas e bonitas. É sempre bom mudar, trocar a cor, jogar fora coisa velha, isso tudo muda a energia da casa.
A última etapa é a mais legal. É a hora de redecorar. Esta etapa dá uma sensação de dever cumprido, um sentimento de que tudo ficará bem pois o pior/pó já passou.

Pra mim, decorar um ambiente não é sobre “o que combina com o quê”, mas sobre o que determinado quadro, objeto diz, significa para você. Muita gente acha brega, por exemplo, ter porta-retratos espalhados pela casa. Eu não ligo, acho que ter a fotografia de pessoas especiais sempre à vista é um privilégio.

Os quadros que vão na minha parede são especiais, não sei se “ornam” esteticamente, mas dane-se. São pôsteres de viagens feitas, slogans que me lembram do trabalho, dos meus gostos. Eu não ligo se é kitsch ou bauhaus.

Pensei no que eu acrescentaria à minha parede e elegi algumas obras que me fariam feliz.

Eu teria, com certeza, um quadro de Jackson Pollock. O caos das pinceladas me acalma.

Teria, também, A Grande Onda de Kanagawa. Uma xilogravura de 1830. A arte japonesa é incrível

Um Piet Mondrian não faltaria na minha parede. Poucas pessoas gostam, mas eu acho fascinante.

E por fim, o mais belo de todos. A Noite Estrelada do mestre van Gogh

e você, o que você colocaria na sua parede?

Tony

Tony é olímpico.

Tem as bochechas largas e um olhar bem sereno. Seu senso de humor é bem elevado, ele tolera todo tipo malcriação que a sua irmã, Nina, lhe prega. É um gato esfomeado, não pode ouvir o barulho do saco de ração que vem correndo em sua direção, às vezes é como se ele brotasse da terra. Tony pratica esportes, sua modalidade favorita é o surf e para tal, ele utiliza todos os tapetes da casa. Tony é muito bom nisso e penso que se existisse uma olímpiada felina, ele já estaria classificado. Tony é  um gato  vaidoso, gosta de fazer as unhas em qualquer móvel da casa, mas seu local preferido é, infelizmente, o nosso sofá.

Artigo completo do New Yorker

 

 

My homecoming

 

I went to the movies to watch Spider-Man: homecoming and I felt like eleven years old again when I watched the first Spider-Man movie, the one directed by Sam Raimi and starring Tobey Maguire. The Spider-Man of 2002 was my first adult film at the theater before it I watched only animations.

In 2002, I was not a reader yet, I was not worried about books or things like that. I had had contact with Turma da Mônica, but nothing too deep. I was more concerned about watching Nickelodeon, Cartoon Network and playing on the street.

But everything changed after that movie. In the weeks after it I broke out all the newsstands, I wanted the comic books of that hero who had fascinated me so much. I read everything! I read the weekly comic books, the special comics, the sagas, the specialized blogs — at that time, I used to go online after midnight and kept researching the stories of Peter Parker.

I became a reader! Thanks to comic books!

If reading and books are my passion today, I owe it to the Friendly Neighborhood!

Yesterday, as I entered the theater to watch the reboot of my favorite movie, I returned to my eleven years. In a simpler time, where all that mattered was having the bucks of the week, go to the newsstand and secure my copy of the Amazing Spider-Man.

Those good times do not come back, but I’m glad to have lived them so well!