Ela vivia com uma máquina fotográfica a tira colo. Toda festa, toda reunião e lá estava ela com o olho na lente. Quando eu era criança a gente revelava o filme. Era bem divertido pagar por cem fotos e depois de retirá-las perceber que umas vinte estavam desfocadas e outras dez eram fotos aleatórias que nós, gurias curiosas, tirávamos do vaso e da parede.

Ela ficava brava, mas continuava fotografando e pagando pelas revelações.

Tenho inúmeras caixas cheias de álbuns, daqueles de papelão bem baratinhos que eram brindes da fototica ou da fujifilm. Os álbuns estão repletos de fotos engraçadas, festinhas com balões coloridos, poses na frente do bolo e mesas forradas com sanduíches de metro.

Mas o legal mesmo de rever são as pessoas. Vizinhos que não vemos mais, familiares que já se foram e nós mesmos em todas as fases da vida: criança fofa, adolescente esquisito e adulto chato.

As fotos fazem a gente relembrar do sentimento naquele exato momento. É engraçado o que uma imagem pode fazer.

Hoje, não há ninguém que carregue uma câmera a tira colo como ela carregava. Não tiramos mais fotos, só postamos imagens aleatórias no Instagram. E de alguma maneira sinto que as imagens do envelhecimento, da mudança e da passagem dos anos serão perdidas.

As caixas com os álbuns não se multiplicarão e o sentimento gostoso de olhar para uma foto e ver como éramos não existirá. Isso pode ser um apego bobo, afinal tudo pode estar na memória, mas a gente envelhece e nem tudo floresce.

Que minha mãe seja uma inspiração e que eu tenha a coragem de pegar uma máquina e, na próxima festa, grudar o olho na lente.

 

 

Photo by Vera Ja on Unsplash