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For October, 2017

Encontros e desencontros

Hoje encontrei uma pessoa conhecida na rua. Só o vi passar. Ele era meu colega na época de colégio e era uma das pessoas mais engraçadas que já conheci. Tínhamos muitas afinidades. Vê-lo me fez sentir saudades daquela risada leve que a gente compartilhava. Não sei se ele ainda é aquela pessoa que me fazia rir horrores, mas mesmo que seja, não sei se conseguiria me reaproximar. Muito tempo passou e por mais que a gente ache que nunca mudamos, nós não somos nem um terço o que éramos.

Vê-lo me fez bem e me fez querer guardar pessoas especiais num frasco, no mesmo tempo espaço que as conheci. Eu as revisitaria de tempos em tempos e reviveria aqueles momentos. Cruel pra elas, maravilhoso pra mim.

As pessoas que passam pelas nossas vidas, digo as especiais, não deveriam só passar… deveriam ficar… de alguma maneira.

Today I saw a person that I used to know on the street. I just saw him pass. He was my college buddy and he was one of the funniest people I’ve ever met. We had many affinities. Seeing him made me miss that light laugh we shared. I do not know if he’s still the guy who used to made me laugh a lot, but even if he is, I do not know if we could get closer again. A lot of time has passed and no matter how much we think we’ve never changed, we’re not even a third of what we were.

Seeing him made me feel good and made me want to keep special people in a jar, at the same time space that I met them. I would revisit them from time to time and relive those moments. Cruel for them, wonderful for me.

The people who pass through our lives, only the special ones, should not just pass… they should stay… somehow.

Blade Runner (english version)

The first time that I saw Blade Runner was in 2000 and something. Over the past year I’ve watched it again and this time it was the Final Cut. The film features three versions, Theatrical Cut, which was the version released in theaters in 1982, the Director’s Cut, the version designed by Ridley Scott and the Final Cut, the version released on the 2007 Special DVD.

The Final Cut or the Director’s Cut are the versions worth seeing. They do not have the final scene that the studios forced Ridley Scott to add. They thought that if the movie ended the way Scott had idealized, people wouldn’t understand.

For me, it is a little challenging to write about movies because I do not know the technical terms and my experience is the one from a simple viewer. So I write about banal impressions of someone who really enjoys the seventh art.

In 1982 Ridley Scott created a masterpiece inspired by Philipe K. Dick’s book, Do androids dream of electric sheep? which became the percussion of a film genre, the sci-fi noir. That kind of sci-fi present in films depicting dystopian futures, such as Toral Recall and so many others.

Blade Runner takes place in 2019 and recounts the hunt of Detective Deckard, who is summoned to exterminate deserting droids, the Replicants, who fled after a rebellion. These replicants, belonging to the Nexus 6 generation, are extremely similar to human beings despite possessing great physical strength and above-average intelligence.

The movie may seem more like a police thriller, with a man vs. machine battle, but it goes way beyond. Scott’s work deals with the condition that humanizes us all, the possibility of death, and the feeling of wanting to overcome it. After all, what these replicants want is to find their creator, Tyrell, and force him to give them more time to live. As a human supplication before the creator, god, ala, and so on.

The film has one of the most incredible monologues in film history, the last scene of the replicant Roy: “I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die”.

The experiences of these machines evaporate just like the human ones when the hour of death arrives.

The sequel, Blade Runner 2049, hit theaters with many questions. Was Denis Villeneuve’s film the height of its precursor? And the answer is yes.

The story takes place thirty years later and explores a small spit from the first film, the uniqueness of the Replicant Rachel. Rachel, according to Tyrell himself, was one of a kind. She would not expire in 4 years like Roy.

In 2049 the new replicants are integrated into society and do jobs that no longer compete to humans, such as being a detective. K is a new Android model and works eliminating old models that are still on the loose. In his hunt, he is faced with the bone of a replicant who died giving birth, something unthinkable. K then begins to search for the child who was born from this replicant.

K’s guessing, he thinks and wants to be this child, also expresses the eagerness of the androids in search of aspects that make them human, that is, own memories, family, and a singularity that take them from the condition of mere tools of work.

The sequel of Blade Runner does not spoil Scott’s work, it delicately completes a story that we imagined did not need continuity or explanation.

It is foreseeable to think that Blade Runner 2049 will play the same role as Blade Runner 2019, to be a milestone in film history.

Blade Runner

A primeira vez que assisti Blade Runner foi em 2000 e alguma coisa. Ano retrasado assisti novamente e dessa vez vi o Final Cut. O filme possuí três versões, a Theatrical Cut, versão que foi para os cinemas no ano de lançamento, em 1982, a Director’s Cut, a versão idealizada pelo diretor, Ridley Scott e a Final Cut, a versão lançada no DVD Especial de 2007.

A Final Cut  ou a Director’s Cut são as versões que valem a pena ver. Elas não têm a cena final que os estúdios obrigaram Ridley Scott a adicionar. Eles acharam que se o filme acabasse do jeito que Scott havia idealizado, as pessoas não entenderiam nada.

Para mim, é um pouco desafiador escrever sobre cinema pois desconheço termos técnicos e minha experiência é a de uma simples telespectadora. Por isso eu escrevo sobre impressões banais de alguém que curte muito a sétima arte.

Em 1982 Ridley Scott criou uma obra prima inspirada no livro de Philipe K. Dick, Androides sonham com ovelhas elétricas?, que se tornou a percussora de um gênero fílmico, o sci-fi noir. Aquele sci-fi presente em filmes que retratam futuros distópicos, como Vingador do Futuro e tantos outros.

Blade Runner se passa em 2019 e narra a caçada do detetive Deckard, que é intimado a exterminar androides desertores, os Replicantes, que fugiram após causarem uma rebelião. Esses replicantes, pertencentes a geração Nexus 6, são extremamente parecidos com os seres-humanos apesar de possuírem grande força física e inteligência acima da média.

O filme pode parecer mais um thriller policial, com uma batalha homem versus máquina, mas ele vai muito além. A obra de Scott trata da condição que humaniza a todos, a possibilidade da morte e o sentimento de querer superá-la. Afinal, o que esses replicantes querem é encontrar o seu criador, Tyrell, e lhe impor que ele lhes forneça mais tempo de vida. Como uma suplica humana perante o criador, deus, ala etc.

O filme tem um dos monólogos mais incríveis da história do cinema, a última cena do replicante Roy: “I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die”.

As experiências e vivências dessas máquinas se evaporam assim como as humanas quando a hora da morte chega.

A continuação, Blade Runner 2049, chegou aos cinemas com muitos questionamentos. Estaria o longa de Denis Villeneuve a altura do seu precusor? E a resposta é sim.

A história se passa trinta anos depois e explora um pequeno espeto do primeiro filme, a singularidade da Replicante Rachel. Rachel, segundo o próprio Tyrell, era única. Ela não expiraria em 4 anos como Roy.

Em 2049 os novos replicantes estão integrados à sociedade e fazem trabalhos que não competem mais aos seres humanos, como o de um detetive. K é um novo modelo de androide e trabalha eliminando antigos modelos que ainda estão à solta. Em sua caçada ele se depara com a ossada de um replicante que morreu ao dar à luz, algo impensável. K, então, começa a buscar pela criança que nasceu desta replicante.

A história de 2049 é desenvolvida a partir de uma ponta solta da versão de 1982. O relacionamento entre Deckard e Rachel, algo minimamente explorado por Ridley Scott. Rachel engravida e isso a aproxima mais ainda do que é ser humano, a possibilidade de gerar “vida”.

O achismo de K, ele pensa e quer ser essa criança, também expressa a ânsia dos androides em busca de aspectos que o tornem humanos, ou seja, lembranças próprias, família, e uma singularidade que os tirem da condição de meras ferramentas de trabalho.

A sequência de Blade Runner não estraga o trabalho de Scott, ela completa de maneira delicada uma história que imaginávamos não precisar de uma continuidade ou explicação.

É previsível pensar que Blade Runner 2049 cumprirá o mesmo papel de Blade Runner 2019, a de ser um marco na história do cinema.

 

 

 

O Nobel de Economia

Começou em 1968, O Prêmio do Banco da Suécia para as Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, sim, esse é o nome oficial do prêmio e ao contrário do que as pessoas pensam, ele não faz parte da Fundação Nobel, a confusão acontece devido ao nome conter “em Memória de Alfred Nobel”.  Porém, não fazer parte da Fundação Nobel não diminui a sua importância.

Ao longo dos anos vimos grandes contribuições ganharem luz e se destacarem no prêmio. Nomes conhecidos como John Nash (1994), Milton Friedman (1976), Daniel Kahneman (2002), Paul Krugman (2008) e outros menos, como a Sra. Elinor Ostrem premiada em 2009, a primeira e única mulher a receber a homenagem.

É do Sr. Thaler, juntamente com Cass Sunstein, a criação do termo “Nudge”, “arquitetura da escolha” em português, mas que tem como tradução literal “empurrãozinho”, muito mais significativo e divertido. Digo significativo, pois o termo nada mais é do que uma orientação, cutudada, empurrão mesmo, que altera o comportamento do indivíduo, geralmente de maneira previsível.

A Pesquisa de Thaler é extremamente atual. Posso chutar que 80% da população tem problemas em guardar dinheiro. Sabemos o quão importante é ter uma reserva para eventuais necessidades, o quão importante é conseguir pagar a fatura do cartão de crédito. Se sabemos que cuidar bem do dinheiro é importante, por que não conseguimos? Aí é que entra a pesquisa de Thaler. Ele busca razões para tal comportamento na parte irracional do individo. Ao contrário das teorias economicas antigas, não agimos com recionalidade quando o assunto é dinheiro.

O mérito de Thaler é analisar o individuo e verificar que algumas ações estão bem longe da racionalidade. Mapear o comportamento humano, e mostrar que as ciências econômicas estão bem longe de análises de padrões e cada vez mais perto do comportamento singular.

Afinal, Economia não é apenas sobre números e cifrões, mas é, também, sobre o ser humano.

Mariana Zucheli

As séries que mais assisti

esta semana estava eu dentro de um vagão do metrô, lotado como de costume, com todo mundo apertado, compartilhando um pouco de calor humano. Eis que à minha frente, avisto uma mulher olhando atentamente para a sua tela de celular, dou uma focada na imagem e vejo cenas familiares: a moça estava assistindo Friends!

Não resisti e acabei assistindo um pouquinho enquanto a minha estação não chegava. Eu sei que isso é invasão da privacidade alheia, mas eu nem consegui esquivar a tela do celular do meu campo de visão. Estávamos como sardinhas numa lata.

Eu já assisti essa série um trilhão de vezes. Toda noite eu a deixo ligada no Netflix e as vozes do Chandler, da Rachel e cia me fazem dormir tranquilamente. Às vezes é como se a série fosse o meu protetor de tela, eu deixo ela lá, rodando enquanto faço outras tarefas.

Antigamente eu fazia isso com The Office também (a versão americana), mas ela saiu do streaming.

Mas, recentemente, descobri outra série com o mesmo efeito, a Brooklyn Nine Nine, uma série sobre o dia a dia em uma delegacia de polícia um pouco bagunçada e com policiais bem engraçados. Ela vem, aos poucos, se tornando meu segundo sonífero.

O que essas duas séries têm em comum? Ambas são séries de comédia. Acho que o cérebro relaxa assistindo esse gênero televisivo, embora eu não possa afirmar pois nunca fui atrás de estudos sobre o assunto.

É reconfortante ligar a TV e deixá-las lá… passando.

Talvez eu tenha um problema, não sei, até sei as falas de cor… (engraçado que a expressão “de cor” vem da palavra cor que significa coração em latim)

E você, qual série você já assistiu inúmeras vezes? Aquela com a qual você tem uma conexão especial…