Monthly Archive

For March, 2017

O Lost Office

É uma piada. Um órgão público que funciona bem mal. Se eu tivesse que compará-lo a um órgão do corpo humano, eu diria que ele se parece com o apêndice, uma soma de células sem utilidade que só sabe inflamar e causar dor e que quando dói demais a gente tem que retirar.

Entramos na Word Wilde Web, chegamos naquele site gringo bacana, com bugigangas que não são vendidas aqui. Um paraíso. Tipo Disney online. Clicamos, clicamos e compramos. As encomendas chegam no Brasil. Elas vêm lá de onde o tal Judas perdeu as suas botas. China, Índia, Hong Kong. Nossas encomendas, aquelas coisinhas bonitinhas, baratinhas e boazinhas que compramos no Mr. Ali, elas vêm de balsa para nossa terra, demoram cerca de 15 dias. Um tempo razoável, afinal elas cruzam o planeta de BAL-SA. Daí, olha só, elas chegam aqui, mais precisamente em Curitiba – por que a receita federal fica lá, me disseram – e lá em Curitiba elas ficam ad eternum. A gente entra no site lostoffice.br para rastreá-las, digita o código RF#$%#$%, lê Curitiba e começa a suar frio.

Pode esquecer! Tudo que você comprou, se foi em duas, três vezes no cartão, não importa, certeza de que quando ela bater na sua porta você já terá quitado sua dívida com as devidas correções monetárias.

Se você quer comprar aquele negócio que treme a barriga – que dizem que emagrece –, e dar de Natal pra sua tia, eu recomendo que a compra seja efetuada em março, no máximo até o finalzinho de abril.

Tudo funciona para causar irritação. É como se o Brasil tivesse um buraco de minhoca lá na Curitiba. Sem explicação.

Porém, há um lado bom nisso tudo. Mas tem? Ah tem! Quando a sua encomenda chegar, por que acredite, ela tarda mas não falha (geralmente), você terá uma enorme surpresa, afinal ela já havia sido esquecida. É o mesmo sentimento de achar 5 reais no bolso da jaqueta.

Espero que neste ano titia ganhe, finalmente, o seu treme-treme no Natal!

O Menino Múltiplo

Andrée Chedid foi poeta, romancista, novelista e dramaturga, nasceu no Egito, em 1920, e lá publicou sua primeira coletânea de poemas: “On the trails of my fancy”. De origem libanesa mudou-se para Paris em 1946 e três anos depois lançou a coletânea Textes pour une figure a primeira obra em sua nova pátria e a precursora das mais de 40 obras que publicaria. A autora teve dois de seus romances adaptados ao cinema – “Le sixième jour” em 1986 com a direção de Youssef Chahine e L’autre em 1991 pelas mãos de Bernard Giraudeau – e, ao longo de sua carreira, foi contemplada com mais de vinte prêmios literários, dentre eles o Goncourt de Nouvelle em 1979, com Les Corps et le temps, e o de Poesia em 2002, pelo conjunto de sua obra. Além de ser uma excelente poetisa e romancista, Chedid também se aventurou na música e compôs letras para o neto, Matthieu Chedid, incluindo Je dis Aime, uma das músicas mais conhecidas do público francófono. Membro honorário da Academia de Letras do Québec, em 2009 a autora foi condecorada como Oficial da Legião de Honra da França e, em 2011, infelizmente nos deixou. A Poesia, segundo ela, guia sua obra, que traz temas relacionados à riqueza do ser humano, à defesa do múltiplo, ao rosto e ao amor.
O romance “O menino múltiplo” será sua primeira obra traduzida em língua portuguesa no Brasil. A obra conta a história de Omar-Jo, filho de pai muçulmano egípcio e mãe católica libanesa, um menino que carrega suas origens no nome e que, durante a guerra do Líbano, em 1987, encontra um destino cruel quando um carro-bomba leva seus pais e seu braço. E o menino de doze anos, então, é enviado pelo avô a Paris. E é lá que ocorre o encontro do Oriente com o Ocidente, do menino-duplo com as luzes, as cores, os sons e os movimentos do Carrossel de Maxime, um senhor rabugento e proprietário da atração que, pouco a pouco, reencontra com o menino, então múltiplo, a alegria de viver. Alteridade, amor e tolerância fazem parte do enredo, poético. A ser lido em voz alta.

Romance nos anos 80 e 90

Gosto muito do gênero comédia romântica. Ele não é o meu gênero favorito pois com relação ao cinema eu acho que não tenho um gênero favorito. Mas a comédia romântica dos anos 80 e 90 é espetacular!

A trilha sonora desses filmes é maravilhosa e a sutileza dos diálogos é impressionante. Consigo lembrar de três, que inclusive revi recentemente, When Harry met Sally, You’ve got mail e Sleepless in Seattle. Os diálogos desses filme são fantásticos, especialmente os do primeiro.

When Harry met Sally é aquele tipo de filme que passeia por Nova York,  — e eu gosto muito disso —, é um filme novaiorquino, que parece ter sido dirigido por Woody Allen.

O filme explora um relacionamento que sai da catástrofe, passa por uma amizade verdadeira e culmina em um lindo romance. Duas pessoas de personalidades totalmente diferentes, Harry e Sally, que se conhecem, que se detestam e que, por ironias da vida, acabam juntas.

O filme retrata o que é estar, ter e querer um relacionamento da forma mais normal e mundana possível. É um filme sobre pessoas reais com situações reais, ou seja, Sally poderia ser a garota com a qual você trabalha.

E eu gosto muito disso. Até na literatura, esse tipo de história me prende, são aquelas possíveis, aquelas que poderiam acontecer comigo ou com qualquer outra pessoa.

Que o século XXI tenha mais filmes assim, leves. E por favor diretores e roteiristas, frequentem as aulas do sr. Allen.

 

O triste fim da graduação

A faculdade é como um gráfico que do sai do ápice e despenca velozmente.

A “curva de felicidade” e empolgação de quem entra é enorme, o contrário quase nunca acontece, a gente chega amando. Compramos aquela camiseta “bixo xxxx”, aquela caneca de plástico da “breja” (somos ecológicos). Tudo lindo. Conhecemos as salas, os computadores (vontade de chorar), os professores, aqueles doutores-sumidades na área.

Na primeira aula, percebemos que o DR. é um grosso, com o ego na lua e pouca vontade de ser professor. Neste ponto, nossa “curva de felicidade” dá uma caidinha. Mas estamos na universidade, só 14% da população tem esse privilégio, e nós chegamos lá! Engolimos o choro e seguimos.

Pra mim, a faculdade foi uma soma de decepções. Nem tudo foi decepção, confesso. Presenciei coisas muito boas, mas foram raras. Das aulas eu absorvi pouco. Poucas me forneceram mais do que meras curiosidades. Os professores não se esforçam, mesmo. Consigo pensar em 2, no máximo 3 que me marcaram. Mas o pior – e tem como ficar pior -, não são as aulas ou os professores, por incrível que pareça. São os alunos, o ambiente. Neste ponto, a minha “curva de felicidade” não existe mais.

Isso parece absurdo, mas a faculdade forma ALIENADOS. Sim, ela forma gente que não consegue entender o mundo fora daquele contexto de coletivos e camaradas. Forma gente que acha que o que é dito dentro daquelas paredes é lei, sem a possibilidade de qualquer questionamento. Os “alunos” (muitos nem frequentam aulas, estão lá para aproveitar tudo que a universidade dá de “graça”) saem por aí repetindo o que ouvem sem questionar, sem analisar. Dá dó.

Pra mim o papel da universidade é incentivar o debate, contribuir para a pluralidade de ideias, mas isso não acontece. Ela forma gente incapaz de pensar. Parece contraditório, né?!

Infeliz realidade.

Começo de ano letivo, vejo aquele pessoal empolgado nos corredores, os calouros, e penso: essa empolgação vai durar um mês.